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- Marília/SP

Postado em 25/10/2020 às 15:00

Coronel Cristal vai depor na CP da Câmara e caso pode ter reviravolta

Advogado de defesa garante que reuniu provas suficientes para provar que oficial seguiu as normas da PM. Depoimento será nesta segunda-feira, às 10h. 

A tenente coronel Márcia Cristal prestará depoimento nesta segunda-feira, às 10h, na Comissão Processante (CP) da Câmara de Vereadores de Marília que investiga a conduta da vereadora Professora Daniela (PL), após telefonar para a comandante da Polícia Militar ao ter o carro guinchado.

Em entrevista exclusiva ao Visão Notícias, o advogado da oficial, Fernando Marcos Bigeschi (foto)garante ter reunido provas suficientes para mostrar que a oficial seguiu as normas da PM e, por isso, acredita que o caso terá uma reviravolta em pouco tempo.

Detalhes, como o laudo que não indicava pneus carecas e uma norma interna do subcomandante, que prevê apenas recolhimento do documento se o licenciamento estiver vencido com menos de 30 dias, sforam apresentados à reportagem.

Além disso, a conversa total entre a coronel e o sargento Allan foi questionada pelo advogado, uma vez que durou 7 minutos, mas apenas 5 foram divulgados à imprensa.

Como foi

De acordo com o advogado de defesa da oficial, em virtude das medidas de isolamento, em virtude da pandemia da Covid-19, e com denúncias de que estariam ocorrendo pontos de aglomerações de pessoas em Marília, a Polícia Militar intensificou a fiscalização, realizando operação nesses pontos específicospara dispersar as pessoas.

Na madrugada do dia 23 de agosto, a equipe do sargento Allan estava em operação na rua Carlos Botelho, na zona leste, onde decidiu fiscalizar um veículo que era dirigido pela filha da vereadora professora Daniela (de sua propriedade).

Os policiais constataram que o licenciamento estava vencido e, por isso, seria guinchado.

Na época, o sargento Allan disse ter dado oportunidade à motorista e ao pai dela para que efetuassem o pagamento via aplicativo para que não ocorresse o recolhimento. Mas, os dois alegaram que não tinham condições.

Telefonema à coronel

Diante dessa situação, a vereadora decidiu ligar, mesmo de madrugada, para a comandante do 9º Batalhão, coronel Cristal, relatando o que estava acontecendo, informando que o seu veículo estava com o licenciamento vencido desde o dia 31 de julho, então, portanto, 14 ou 15 dias de atraso.

"A vereadora, pelo que parecia, já tinha sido orientada por algum policial, pois de pronto perguntou a Coronel se não poderia apenas multar, recolher os documentos e liberar o carro, pois o documento fazia pouco tempo que estava vencido", observou o advogado.

Norma do comando

Ordem de serviço do Subcomandante sobre a recolha de veículos.

"Na Polícia Militar há uma norma, do Subcomandante da corporação que padroniza, em nível estadual, a fiscalização de trânsito no que se refere a falta de licenciamento". Esta ordem de serviço, determina que se o licenciamento estiver vencido há menos de 30 dias, o policial deve efetuar a multa, recolher o certificado de licenciamento anual e liberar o veículo", lembrou o advogado Fernando Marcos Bigeschi, acrescentando que, da forma com que a vereadora Daniela perguntou, seguia exatamente o que a ordem interna da corporação estabelecia.

Ligação ao sargento

O oficial da PM informou à vereadora que iria checar com a equipe de trânsito para saber o que estava acontecendo. Ela ligou algumas vezes ao sargento Allan.

Mas, como ele não atendia, manteve contato como Centro de Operações da PM (Copom) determinando que o policial militar retornasse às ligações.

"Cabe salientar que o áudio publicado na imprensa não chega a 5 minutos de conversa, no entanto, a ligação transcorreu por mais de 7 minutos. De forma proposital, toda a introdução da conversa não foi publicada", acrescentou o advogado.

Diálogo entre os policiais

A coronel perguntou ao sargento o que estava acontecendo e foi informada de que a recolha do veículo tinha como motivo o licenciamento vencido.

Ao questionar o prazo desse vencimento, a oficial passou a observar que o sargento não estava seguindo às normas do Subcomandante, ou seja, de que, como era menos de 30 dias, deveria apenas recolher o documento, aplicar a multa, e liberar a condutora com o seu veículo.

"No entanto, de forma estranha o policial passou a discorrer novamente o que estava acontecendo, porém acrescentou a existência de nova irregularidade, isto é, de dois pneus carecas", disse o advogado.

Pneus "carecas"

A polêmica passou a ser a partir daí sobre as condições dos pneus. 

"Ora, se realmente tivesse dois pneus carecas a recolha desse veículo era inevitável, independentemente do licenciamento, então, porque deu chance de pagar por aplicativo, como condição para que liberasse o veículo se tinha dois pneus carecas? Se realmente existisse essas irregularidades não haveria outra atitude a tomar a não ser recolher o veículo, não seria o fato de pagar por aplicativo que faria com o carro fosse liberado?", questinou a defesa.

"Assim, realmente, por dedução lógica, a coronel percebeu, claramente, que o policial estava mentindo, inventando a existência de dois pneus carecas a fim de legalizar a conduta anterior irregular (recolha do veículo por falta de licenciamento), fato que foi questionado pela coronel", afirmou Fernando Marcos Bigeschi.

Laudos da perícia

O veículo da vereadora professora Daniela passou por uma perícia, dentro do próprio pátio da Ciretran, realizada por uma empresa especializada na área (Odair Pneus) e pelo próprio Instituto de Criminalística (IC), da Polícia Civil , acompanhada da Polícia Militar, onde foram feitos laudos. 

O da empresa Odair Pneus constatou que os dois pneus não estariam "carecas". O do IC o Visão Notícias ainda não obteve acesso ao resultado.

Apuração

Defesa pediu ao Ministério Público para que o sargento Allan também seja investigado.

Além da Comissão Processante, o caso está sendo apurado através de inquérito policial militar, no qual tanto a coronel Cristal como o sargento Allan são investigados nas suas condutas. O inquérito já foi concluído e está sendo analisado agora pela Justiça Militar.

O advogado Fernando Marcos Bigeschi informou que todos as provas que ele apresentou na entrevista já fazem parte dos autos, além de outros detalhes que são mantidos sob sigilo. 

Outra apuração está sendo feita pelo Ministério Público em Marília, a pedido de uma ONG. Diante disso, o advogado de defesa da coronel Cristal ao Ministério Público  ingressou com uma representação para que o sargento Allan também seja investigado no caso.

 

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