Aeroclube e Rede Voa trocam acusações.
As operações do aeroporto de Marília, que são bastante tranquilas foram marcadas por um incidente neste fim de semana que mobilizou até as equipes da Polícia Federal e da Polícia Militar. O motivo foi o uso da pista do aeródromo que, segundo a rede VOA (administradora) teria vido “invadida” por diversas pessoas, inclusive crianças.
A presença, na verdade, seriam de integrantes do Aeroclube que estariam realizando voos de instrução com o uso de planadores. A empresa e a instituição trocaram acusações pelas redes sociais. É mais um "capítulo" da polêmica por causa da área utilizada pela entidade e que a concessionária pretende retomar como justificativa para realizar as reformas e ampliação do terminal de embarque de Marília.

A confusão ocorreu na tarde de sábado. De acordo com a concessionária, o Centro de Controle Operacional (CCO) teria identificado uma “invasão da área de segurança operacional e de segurança aeroportuária” do aeroporto de Marília por pessoas que teriam acessado através do Aeroclube de Marília.
“Foram constatadas cerca de 15 pessoas em local muito próximo à pista de pousos e decolagens, inclusive com a presença de crianças, além de um veículo não autorizado e uma barraca”, informa a rede Voa.
Confusão e polícia
Ainda de acordo com a nota, uma equipe esteve no local porém os “invasores” teriam se recusado a sair. A situação ficou ainda mais tensa quando uma pessoa, identificada como sendo advogado do Aeroclube chegou a dar “voz de prisão” à uma funcionária da empresa.
Diante dessa situação, a rede Voa acionou as polícias Militar e Federal. Quando as equipes chegaram houve uma longa negociação até que as pessoas aceitaram deixar o local.
“A Rede VOA reforça que o Aeroporto Estadual de Marília opera voos comerciais e segue normas internacionais de segurança. O espaço invadido é uma área controlada, com acesso permitido apenas perante identificação, credenciamento comunicação com a operação local. O Boletim de Ocorrência já foi elaborado junto à Polícia Militar”, diz a nota da concessionária.
Versão diferente
Já o Aeroclube de Marília informou que realizava uma “atividade regular de instrução de voo de planador, prática tradicional exercida há mais de quatro décadas” tendo ocorrido o que considera “alvo de intervenção indevida por parte da concessionária, que acionou forças policiais com alegações improcedentes”.
Defende ainda que a operação “encontrava-se em total conformidade com as normas aeronáuticas, fato reconhecido pela própria Polícia Federal no local, não havendo qualquer irregularidade”.
A polêmica ocorre em virtude do destombamento do Aeroclube, ocorrido em dezembro do ano passado e que anulou a proteção patrimonial municipal (Lei 9.233/2025) que impedia reformas no aeroporto.
A medida, sancionada pela Prefeitura (após projeto aprovado pela Câmara) permitiu à concessionária Rede VOA realizar as reformas no aeroporto de Marília.
Teria ocorrido após um acordo com o aeroclube que teria aceito construir a sua sede em outra área anexa. Mas, a entidade contesta, garantindo que esse entendimento jurídico “jamais existiu. Tal medida foi ainda justificada pela necessidade de utilização da área para construção de um novo terminal aeroportuário”.
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