O delegado superintendente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP), Leandro Presumido Júnior, informou nesta segunda-feira que o órgão está abrindo sindicância para apurar as denúncias de superlotação no pronto socorro do Hospital das Clínicas, em Marília. Hoje, o médico que gravou um vídeo mostrando o problema assinou oficialmente a sua carta de demissão do HC.
O caso, mostrado pelo portal Visão Notícias, teve uma repercussão muito grande nas redes sociais. O médico, dr. Ricardo Paoliello (hoje ele autorizou a divulgação do seu sobrenome) disse que está recebendo, desde o fim de semana, centenas de mensagens e telefonemas de pessoas apoiando a sua iniciativa.
O médico trabalhava no HC desde janeiro de 2009 (contratado pela FAMAR)e explicou que por diversas vezes teve que tomar decisões para garantir o atendimento e até evitar a morte de pacientes que estavam em atendimento no hospital. Isso fez com que respondesse por diversas sindicâncias.
PRESSÃO


O médico Ricardo Paoliello confirmou que vinha sofrendo "intimidações".
O dr. Ricardo Paoliello revelou hoje que sofreu "intimidações" da diretoria para que evitasse fazer denúncias ou tomar outras atitudes sob o risco de ser demitido.
Mas, no dia 15 do mês passado, após ser procurado por pacientes e familiares que estavam no pronto socorro superlotado e para preservar os demais médicos e corpo de enfermagem (também sofrem com toda essa situação), resolveu fazer o vídeo denunciando a situação. Nas imagens, ele pede autorização para cada pessoa que aparece nas imagens.
O problema é que o plantão de quinta-feira à noite foi o último dele no HC. Por telefone, recebeu telefonema de que estava demitido e que nem iria receber pelo turno de trabalho que já havia iniciado.
A direção da FAMEMA (Faculdade de Medicina de Marília), em nota oficial, confirmou a demissão do médico, mas que este não seria um "fato isolado" (ele ter denunciado as condições do pronto socorro em vídeo).
SINDICÂNCIA
Com a repercussão do caso, o CREMESP (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) decidiu investigar o caso através da abertura de uma sindicância.
De acordo com o delegado superintendente, Leandro Presumido Júnior, além das partes envolvidas (médico e o HC) também deverão ser ouvidos pacientes que receberam tratamento no hospital e o conselho de ética da FAMEMA.
As investigações normalmente levam de seis meses a um ano. Já as penas (no caso de envolvimento de médicos) vão desde advertância até o cancelamento do registro no CRM (Conselho Regional de Medicina).
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