Médico que denunciou em vídeo superlotação do HC em Marília é demitido durante plantão

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O médico mariliense que denunciou em vídeo a superlotação do pronto socorro Hospital das Clínicas de Marília foi demitido na noite da quinta-feira (01/11), durante mais um plantão que acabou sendo o seu último naquele hospital.

O profissional manteve contato com o portal Visão Notícias lamentando a forma com que a diretoria tratou o caso e a atitude tomada que iria prejudicar os demais colegas que estavam de serviço, ou seja, seriam sobrecarregados de trabalho já que o recado recebido por telefone foi claro: não iria receber pelo plantão, mesmo se continuasse trabalhando.

O problema foi denunciado pelo portal no dia 15 do mês passado. Pessoas que deveriam estar sendo atendidos em leitos hospitalares aguardam horas e até dias no pronto socorro, por falta de vagas. Isso depois de toda reforma que o HC passou. 

Reportagem do Visão Notícias denunciando a superlotação.

Na matéria, mostramos o exemplo do pintor Everton Willian Vanderrama que enviou fotos ao portal e denunciou a superlotação.

O pai dele, de 57 anos, estava internado há mais de 10 dias no pronto socorro do hospital (está com trombose numa das pernas e também diagnosticado com um câncer) a espera de um leito.

REPERCUSSÃO - O médico dr. Ricardo (ele pediu para não ter o sobrenome divulgado, para preservar a sua família) estava de plantão naquela noite e, com autorização dos pacientes, filmou a superlotação do pronto socorro, chegando inclusive a entrevistar pacientes e acompanhantes. O vídeo "bombou" nas redes sociais.

Na época, a direção do HC divulgou nota apenas esclarecendo a situação do pai de Everton Vanderrama, mas manteve silêncio com relação ao vídeo e as denúncias do médico.

DEMISSÃO

Corredores do pronto socorro do HC: pacientes aguardam sentados ou em pé atendimento.

Mas, ontem à noite veio o resultado da denúncia feita pelo dr. Ricardo. Após iniciar mais um plantão, às 19h, ele recebeu telefonema da diretoria informando que ele deveria ir embora porque estava demitido e não receberia nem pela escala médica que já tinha iniciado.

O profissional fez mais dois pequenos vídeos mostrando novamente a situação do pronto socorro do HC (mais uma vez lotado, com pacientes inclusive nos corredores).

Ele estava muito triste e preocupado com aquela situação, mesmo porque seu objetivo, ao denunciar a situação do hospital, era garantir um melhor atendimento aos pacientes e ao mesmo tempo uma melhor qualidade de trabalho para ele e demais colegas médicos e funcionários. 

"Eles (diretoria) vão alegar que eu fui demitido porque estava respondendo por outras sindicâncias. Mas, todas foram abertas porque eu denunciava as condições do pronto socorro", disse o dr. Ricardo, lamentando que o HC -- em vez de buscar soluções para o problema--resolve fazer retaliação com quem denuncia o problema.

POSIÇÃO DO HOSPITAL

Nesta sexta-feira, a assessoria de imprensa da Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA - responsável pelo HC) divulgou uma nota oficial confirmando a demissão do médico e que não seria um "fato isolado" (ele ter denunciado as condições do pronto socorro em vídeo). Eis a nota:

"O médico Dr. Ricardo (...) não pertence mais ao quadro de funcionários da FAMAR – Fundação de Apoio à Faculdade de Medicina de Marília e ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Marília.

A FAMAR, que é uma fundação privada que cede funcionários para atuar nas autarquias Famema e HCFAMEMA, confirma que o médico terá todos os seus direitos assegurados e pagos integralmente. Seu desligamento ocorreu nesta quinta-feira – 1º de novembro.

Com relação ao vídeo recentemente divulgado nas redes sociais pelo médico, com referência à superlotação do Pronto Socorro do Hospital das Clínicas, a Superintendência do HCFAMEMA afirmou que a demissão do referido médico não foi por ato isolado sobre postagem do vídeo, mesmo porque a própria Instituição vem discutindo o problema da superlotação há tempos,  comunicando todos os órgãos responsáveis".






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