Uma nova polêmica envolvendo a Rede VOA, concessionária responsável pela administração do Aeroporto Estadual Frank Miloye Milenkovich, pode comprometer as atividades do Aeroclube de Marília.
Segundo a direção da entidade, a empresa iniciou a instalação de alambrados nos acessos que ligam os hangares à pista de pousos e decolagens. Caso o fechamento seja concluído, aviões e planadores poderão ficar impedidos de sair dos hangares para realizar suas atividades.
Toda a área utilizada pelo aeroclube estaria sendo cercada pela rede VOA.
O Aeroclube afirma que a medida foi tomada unilateralmente, sem consulta ou comunicação prévia à instituição. A direção também sustenta que os alambrados estão sendo instalados dentro da área ocupada pela escola de aviação.
A principal preocupação é com a continuidade da formação prática dos alunos, que depende do deslocamento das aeronaves entre os hangares e a pista.
Aeroclube registra boletim de ocorrência
Diante da situação, representantes do Aeroclube informaram que registraram um boletim de ocorrência na Polícia Civil.
A entidade considera a instalação das cercas uma medida arbitrária e afirma que existe uma decisão judicial garantindo sua manutenção na posse da área.
Segundo o presidente do Aeroclube de Marília, Braucílio Foganholo Júnior (conhecido pelos pilotos como "Brau" - foto) , o conflito com a concessionária permanece em discussão na Justiça.
A disputa entre o Aeroclube e a Rede VOA se arrasta há mais de dois anos e envolve o uso da área ocupada pela instituição, que possui mais de oito décadas de história em Marília.
O dirigente protesta contra essa situação: "Após 86 anos de tradição, hoje o aeroclube de Marília vive de vaquinhas. Formamos duas turmas teóricas de piloto e estamos na terceira . Mas, esses alunos estão indo voar em outros aeroclubes por causa dessa situação".
Disputa também envolve tombamento
Outro ponto da controvérsia é a preservação do patrimônio histórico do Aeroclube. Em 2025, a Prefeitura encaminhou à Câmara Municipal um projeto para reconhecer a entidade como patrimônio cultural, mas revogar a legislação anterior que determinava o tombamento de suas instalações.
A proposta foi apresentada como parte das medidas destinadas a permitir a reforma e ampliação do aeroporto, incluindo a possibilidade de transferência do Aeroclube para uma nova área.
Na ocasião, a direção da entidade contestou a informação de que teria concordado com a mudança. O projeto foi posteriormente aprovado, e a lei que estabelecia o tombamento do imóvel foi revogada em dezembro de 2025. O reconhecimento cultural da instituição foi mantido.
O que diz a Rede VOA
O Visão Notícias entrou em contato com a Rede VOA para esclarecer os motivos da instalação dos alambrados e os possíveis impactos sobre o funcionamento do Aeroclube.
A concessionária informou que deverá encaminhar uma manifestação oficial até o final da tarde desta sexta-feira (9). A reportagem será atualizada após o recebimento da resposta.
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