A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) marcou para sexta-feira (13) o julgamento da decisão do ministro André Mendonça que determinou a prisão do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O caso será analisado em uma sessão virtual.

Após assinar os mandados de prisão e de busca e apreensão contra o banqueiro e outros investigados, Mendonça enviou o caso para julgamento no colegiado. Além de Mendonça, a turma é composta pelos ministros Gilmar Mendes, Luiz Fux, Nunes Marques e o mariliense Dias Toffoli.
Em fevereiro, Toffoli deixou a relatoria do caso após a Polícia Federal informar ao presidente do STF, Edson Fachin, que há menções a Toffoli em mensagens encontradas no celular de Vorcaro, que teve o aparelho apreendido durante a primeira fase da Operação Compliance Zaro, deflagrada no ano passado.
Toffoli admitiu que é um dos sócios do resort Tayayá, no Paraná. O empreendimento foi comprado por um fundo de investimentos ligado ao Master e investigado pela PF.
Entenda a ligação entre Toffoli e Vorcaro
Em novembro de 2025, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli viajou em um jatinho particular para assistir à final da Libertadores da América. A aeronave pertencia a um advogado do Banco Master, instituição que logo depois seria alvo de um caso que cairia nas mãos do próprio Toffoli por meio de sorteio no STF.
Assim que assumiu o caso Master como relator, Toffoli decretou sigilo absoluto sobre o processo. Em seguida, convocou uma acareação entre os principais envolvidos: Daniel Vorcaro, dono do banco, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, banco que tentou comprar o Master.
Na mesma ocasião, Toffoli incluiu um diretor do Banco Central entre os depoentes, tratando-o como investigado, apesar de ser representante da autoridade reguladora.
Investigações revelaram que o pagamento ao ministro pela venda do resort Tayayá veio do Fundo Arleen, cujo único cotista era o fundo Leal. Este, por sua vez, tinha como único cotista Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Ambos os fundos estavam na REAG, empresa que foi liquidada pelo Banco Central e é alvo das operações Carbono Oculto e Compliance Zero.
Durante o processo, Toffoli tomou medidas incomuns, como pedir a custódia das provas e tentar determinar quais peritos da PF (Polícia Federal) poderiam acessar o caso.
Inicialmente, ele quis transferir todas as provas para o STF, mas recuou quando a PF argumentou que isso seria inviável. Mesmo assim, insistiu em nomear pessoalmente os peritos que teriam acesso às evidências.
Receber dividendos...
Em fevereiro de 2026, durante uma sessão plenária do STF, Toffoli fez uma intervenção defendendo o direito de magistrados a receberem dividendos de empresas das quais são sócios. O comentário, aparentemente descontextualizado na época, ganhou novo significado após a revelação de que seu nome aparece em mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro.
O relatório recente da Polícia Federal sobre o caso revelou o conteúdo dessas mensagens no celular de Vorcaro, expondo a conexão entre o ministro e o banqueiro. Mesmo após essas revelações, Toffoli dobrou a aposta e pediu mais provas do caso, demonstrando que pretende manter-se na relatoria apesar das evidências de conflito de interesse. Com Informações da Agência Brasil e CNN/Brasil.
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