Jornalista tinha 82 anos e dedicou mais de seis décadas à profissão; durante cerca de 15 anos, trabalhou em emissoras e jornais da cidade
“Bom dia pra quem é de bom dia, saravá pra quem é de saravá!”
Durante décadas, foi assim que José Luiz Monteiro chegava à casa de milhares de ouvintes. O bordão ganhou a voz do radialista e jornalista e atravessou uma carreira de mais de 60 anos dedicada à comunicação.
Luiz Monteiro morreu nesta sexta-feira (2), aos 82 anos, em Jaú, cidade onde vivia e trabalhava desde 1995. Neste sábado (3), familiares e amigos participaram das últimas homenagens ao comunicador.
Embora tenha construído em Jaú a etapa mais longa de sua carreira, Monteiro também deixou uma forte ligação com Marília, onde trabalhou por cerca de 15 anos, principalmente durante as décadas de 1980 e 1990.
Foi uma das vozes conhecidas da Rádio Dirceu e também passou pelo jornal Diário de Marília, além de outros veículos da imprensa local. Atuou como repórter, apresentador e no jornalismo policial, área que acompanharia durante boa parte da vida profissional.
Do Paraná para os microfones
A história de Luiz Monteiro no rádio começou muito antes de sua chegada a Marília. Nascido em 5 de abril de 1944, iniciou a carreira em 1960, em Cornélio Procópio, no Paraná. Trabalhava como empacotador em uma loja instalada no mesmo prédio de uma emissora e foi ali que começou a aprender os segredos do rádio.
Primeiro aprendeu a operar a mesa de som. Em 1961 tornou-se locutor e, no ano seguinte, já estava trabalhando como repórter policial na Rádio Cruzeiro do Sul. Vieram outras emissoras, cidades e redações. E o microfone acabaria acompanhando praticamente toda a sua vida.
Em Marília, Monteiro fez parte de uma geração de profissionais que viveu um período de grandes transformações no jornalismo local, quando o rádio ainda exercia enorme influência no cotidiano da população e o jornal impresso ocupava papel central na cobertura da cidade.
Um jeito próprio de fazer rádio
Luiz Monteiro não ficou conhecido apenas pelas notícias que transmitia. Tinha um estilo próprio, marcado pelo improviso, bom humor e frases que os ouvintes aprenderam a reconhecer.
Além do tradicional “Bom dia pra quem é de bom dia, saravá pra quem é de saravá”, brincava até com a previsão do tempo. Quando o dia amanhecia bonito, dizia que “o céu está azul, da cor dos olhos da mulher amada”. Quando o tempo fechava, vinha a provocação: “Hoje o céu está cinza, igual aos olhos da sogra.”
Era uma forma de fazer rádio que dependia menos de fórmulas e mais da personalidade de quem estava atrás do microfone.
Marília ficou para trás, mas não foi esquecida
Em 1995, outro nome conhecido da comunicação regional, o jornalista Hailton Medeiros (falecido em dezembro do ano passado), convidou Monteiro para assumir a direção de jornalismo da Rádio Piratininga, em Jaú. Ele aceitou.
O que seria uma nova experiência profissional tornou-se sua casa pelas três décadas seguintes. Em Jaú, continuou no rádio, constituiu família e se transformou também em referência do jornalismo policial da cidade.
Mesmo aos 82 anos, permanecia ligado à notícia. Nos últimos anos, além do rádio, mantinha a página Plantão de Notícias, acompanhando ocorrências e acontecimentos de Jaú e região.
Luiz Monteiro deixa a esposa, Edna, e quatro filhas: Flávia, Fabiana, Fernanda e Carolina. A despedida ocorreu no Memorial Oswaldo Izatto, em Jaú, até a manhã deste sábado.
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