Alerta para tempestades severas nesta sexta-feira aumenta preocupação; saiba como os tornados se formam, quais os sinais de perigo e como se proteger
A possibilidade de formação de tornados que colocou Marília e outras regiões paulistas em alerta nesta sexta-feira (11) pode parecer algo distante da realidade do Estado. Mas tornados não são fenômenos exclusivos dos Estados Unidos e já provocaram destruição e mortes no interior de São Paulo.
O território paulista reúne condições capazes de favorecer tempestades severas, especialmente quando ar quente e úmido encontra sistemas de tempo que provocam forte instabilidade e mudanças na direção e velocidade dos ventos em diferentes altitudes.
É nesse ambiente que algumas tempestades podem adquirir rotação e, em situações específicas, produzir tornados.
O que é um tornado?
O tornado é uma coluna de ar em intensa rotação que se estende de uma tempestade até a superfície. Seu diâmetro pode ser relativamente pequeno quando comparado ao tamanho de uma tempestade, mas os ventos extremamente fortes tornam o fenômeno potencialmente devastador.
Isso também explica uma característica importante: os danos podem ser muito concentrados. Uma área pode sofrer destruição severa enquanto bairros ou propriedades relativamente próximos praticamente não são atingidos.
E há uma diferença importante entre nuvem funil e tornado. Enquanto a circulação está visível abaixo da nuvem, mas não alcança a superfície, fala-se em funnel cloud ou nuvem funil. Quando a circulação chega ao solo — inclusive podendo levantar poeira e detritos — caracteriza-se o tornado.
São Paulo tem histórico
O Estado possui um histórico relevante desses fenômenos. Entre os episódios mais conhecidos está o de Itu, em 1991, considerado um dos eventos tornádicos mais graves registrados no país.
Outro caso emblemático ocorreu em Indaiatuba (foto), em maio de 2005, quando um tornado atingiu principalmente áreas industriais. O episódio ficou conhecido também pelas impressionantes imagens da circulação e pelos grandes danos provocados.
Em Taquarituba, em 2013, outro tornado provocou mortes, deixou dezenas de feridos e atingiu casas, instalações públicas e estruturas agrícolas.
Já em junho de 2016, uma sequência de tempestades severas produziu tornados em diferentes pontos paulistas. Jarinu esteve entre os municípios mais atingidos.
E na região de Marília?

Em dezembro de 2025, um fenômeno foi filmado na zona rural de Oscar Bressane (foto) , a cerca de 40 quilômetros de Marília. A Defesa Civil o identificou como um landspout, tipo de tornado que se forma por mecanismo diferente dos tornados clássicos associados a tempestades rotativas e que, em geral, apresenta menor intensidade. Não foram registrados danos graves.
Há ainda o relato também de uma nuvem funil (o estágio inicial de um tornado antes de tocar o solo) observada em Marília em fevereiro deste ano (foto).
O fenômeno chamou a atenção por criar um visual onde o céu parecia "dividido ao meio" por diferentes camadas de temperatura, vento e umidade. As imagens registradas na cidade mostraram uma estrutura de tempestade muito instável, com uma base escura e uma transição de nuvens bem marcada.
Apesar do susto e do aspecto intimidador, a estrutura não tocou o chão em Marília. Portanto, permaneceu classificada estritamente como uma nuvem funil. Naquele final de semana, a atmosfera da região estava propícia para tempestades intensas, rajadas fortes de vento, raios e queda de granizo.
Nem toda tempestade severa produz tornado
Um alerta de possibilidade de tornado não significa que um tornado necessariamente atingirá Marília. A previsão meteorológica identifica um ambiente favorável à ocorrência de tempestades severas capazes de produzir fenômenos extremos, mas determinar antecipadamente o ponto exato onde um tornado poderá tocar o solo é muito mais difícil.
Por isso, a lógica da Defesa Civil é preventiva: preparar-se para o pior cenário mesmo que ele não se concretize.

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Quais sinais merecem atenção?
Uma nuvem funil, uma base de tempestade muito baixa com rotação evidente e um ruído intenso e contínuo podem acompanhar a formação de um tornado. Escurecimento acentuado do céu, granizo e rajadas violentas também indicam uma tempestade perigosa, ainda que não provem a existência de tornado.
Uma orientação mais importante: não saia de casa para observar ou filmar um possível tornado. Ao receber um alerta oficial para procurar abrigo, a prioridade deve ser encontrar proteção imediatamente.
Os principais sinais visuais no céu que indicam que uma tempestade é extremamente severa e tem potencial para gerar um tornado são:
- Nuvem de parede (Wall Cloud): Uma descida abrupta, isolada e persistente na base da tempestade, que frequentemente começa a girar visivelmente antes do tornado descer;
- Nuvem funil (Funnel Cloud): Um cone de nuvem em rotação que se estende da base da tempestade em direção ao chão (torna-se tornado apenas quando toca o solo ou levanta poeira na superfície);
- Céu esverdeado ou escuro: A tempestade ganha uma coloração verde-escura ou cinza-azulada muito profunda devido à grande quantidade de gelo e água pesada retida nas nuvens altas, bloqueando a luz solar;
- Queda súbita de granizo grande: Uma chuva forte que cessa de repente e é substituída pela queda de pedras grandes de granizo, muitas vezes sem chuva nenhuma ao redor;
- Nuvens mammatus: Nuvens com formato de "bolsas" ou "tetos" pendurados na base da tempestade, que sinalizam turbulência extrema na atmosfera;
- Base da nuvem muito baixa: Nuvens de tempestade extremamente baixas e que parecem se mover muito rápido ou em direções opostas (cisalhamento do vento).
No vídeo, veja como se forma um tornado:
Fonte: Gaúcha.
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