"Consegui convencê-lo a entregar o corpo à família", afirma advogada de homem que matou companheira em Marília

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"Foram momentos de muita tensão e angústia. Ele falava o tempo todo, por telefone, que queria tirar a própria vida. Consegui convencê-lo a mudar de ideia, se entregar e mostrar onde estava o corpo da vítima para que fosse entregue à família". A afirmação é da advogada Larissa Turíbio Campos que está defendendo o homem acusado de matar a própria companheira em Marília e esconder o corpo ao lado da estrada vicinal que liga Marília a Vera Cruz.

Vanessa Anizia da Silva de Carvalho, de 43 anos, Técnica em Enfermagem e Bombeiro Civil, foi sepultada no começo desta tarde (13h30), no cemitério da Saudade, sem velório, devido às condições em que o corpo foi localizado (já em estado de decomposição).

O caso de feminicídio e ocultação de cadáver teve grande repercussão em Marília, principalmente depois que familiares da vítima postaram mensagens nas redes sociais denunciando o acusado (um motorista de aplicativo, de 43 anos) de ter agredido violentamente a companheira, fugir com ela no seu carro, alegando inicialmente que iria socorrê-la, mas depois desistiu, afirmando que iria matá-la e também tirar a própria vida.

A mãe de Vanessa, Iris Silva, enviou mensagem ao Visão Notícias, na manhã desta sexta-feira, comentando sobre o crime. Bastante abalada, ela desabafou:

"Eu quero justiça. Não só pela minha filha, mas pelas outras mulheres que também são vítimas de violência. Foi muito cruel o que ele fez. Ele destruiu minha família".

Dona Iris lembrou que Vanessa trabalhava como Técnica em Enfermagem "para cuidar das feridas de outras pessoas e aquele maldito feriu ela todinha".

Como foi o crime, na versão do acusado...

O caso começou na manhã do dia 23 de dezembro (terça-feira), durante uma briga do casal que, conforme consta no boletim de ocorrência, tais discussões seriam constantes nos cerca de cinco anos de convivência do casal.

Momento em que o corpo de Vanessa é retirado do local onde foi abandonado.

O homem alegou, em seu depoimento, que pretendia "terminar" o relacionamento, mas Vanessa teria afirmado que ele só deixaria a casa "morto". Foi então que ambos discutiram e ele a empurrou, caindo ao chão. Já a família da vítima garante que ela foi violentamente espancada.

O homem alega que colocou Vanessa, desacordada, no seu carro e pretendia levá-la para um atendimento médico.

No caminho, teria recobrado a consciência, tentado fugir do carro, quando o companheiro pegou um canivete que seria da vítima, dando "um ou dois golpes" na altura do pescoço. Ele alegou que, ao perceber que estava morrendo, ficou "com medo" de levar ao hospital.

O corpo foi jogado numa bacia de contenção às margens da vicinal que liga Marília a Vera Cruz e coberto com capim, como forma de que ninguém pudesse encontrá-lo rapidamente.

Negociação para se entregar

Em entrevista ao Visão Notícias, a advogada Larissa Turíbio Campos (foto) relatou que o motorista manteve o primeiro contato com ela na noite do dia 23 (portanto horas depois do crime, que ocorreu pela manhã), com palavras desconexas, dizendo que tinha matado a companheira e que também iria tirar a própria vida.

"Se ele fizesse isso seria uma dor ainda maior para a família da Vanessa porque ninguém saberia onde o corpo estava. Conversei diversas vezes com ele, por telefone, até convencê-lo que a melhor hipótese seria ele se entregar e mostrar inde estava o corpo da vítima", afirmou a advogada.

O encontro entre o acusado, a advogada e a equipe da Polícia Civil foi nas proximidades de um shopping na zona Norte e, em seguida, o motorista de aplicativo levou todos até o local onde o corpo havia sido jogado. 

Desdobramentos - C
omo já haviam se passado mais de 24 horas do crime de feminicídio, para caracterizar o flagrante o homem foi preso por ocultação de cadáver, além de responder pelo crime mais grave. A Polícia Civil prossegue nas investigações e aguarda o laudo necroscópico que vai indicar as condições em que Vanessa foi assassinada.





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