Você já teve recaída com o (a) "ex"? É mais comum do que muita gente pensa!

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Voltar a transar com alguém após o término do relacionamento não é exceção: é comportamento recorrente. Segundo uma enquete realizada com seis mil usuários do Sexlog (maior rede social de sexo e swing do Brasil), 56% afirmam já ter tido recaída sexual com um ex, sendo que quase metade (45,9%) reatou mais de uma vez. O dado revela que, para muitos, o fim do relacionamento não acontece de forma imediata, especialmente no corpo.

Para a neuropsicanalista clínica Sanny Rodrigues, isso acontece porque mente e corpo encerram vínculos em tempos diferentes. “Mesmo quando a relação já terminou emocionalmente, o corpo costuma demorar mais para entender o fim. A rotina compartilhada, o toque conhecido e a intimidade construída criam uma sensação de continuidade”, explica.

Quem tem mais recaída

O recorte etário ajuda a entender esse movimento. A maior parte dos respondentes está entre 35 e 44 anos (34,7%), seguida por 25 a 34 anos (29,8%). São faixas marcadas por relações mais longas, histórico de convivência e maior acúmulo de experiências afetivas.

Nesse contexto, a recaída não surge necessariamente como tentativa de reatar, mas como dificuldade prática de lidar com o vazio do término.  “Esse sexo funciona como um fio de esperança, mesmo que inconsciente”,  aponta Sanny.

Tesão ou carência?

Quando questionados sobre o que motivou a recaída, 73,9% dos usuários apontaram o tesão e a intimidade já conhecidos como principal fator. Apenas 6,1% citaram carência emocional, e 4,8% falaram em dificuldade de conexão com novas pessoas.

O dado reforça que recaídas não são, necessariamente, impulsos românticos. “Muitas vezes, não é sobre amor ou desejo no sentido idealizado. É sobre não saber ainda como existir sem aquela presença”, explica a especialista. Segundo ela, o corpo tende a buscar o que já conhece quando o término não foi elaborado.

Tesão ou segurança emocional

Entre os que recaíram, 35,4% afirmam que isso aconteceu após um reencontro casual, percentual ligeiramente maior do que aqueles que voltaram logo após o término (34,2%). Para Sanny, esse dado dialoga com o que aparece na clínica:

“O corpo pode confundir tesão com segurança emocional, especialmente em momentos de vulnerabilidade. O álcool costuma facilitar esse processo, porque reduz o controle racional e amplifica memórias emocionais.” Nessas situações, o impulso não é planejado: é corporal. “O corpo reconhece aquele vínculo como um lugar familiar, previsível.”

Prazer imediato, confusão depois

Apesar do retorno frequente, os efeitos emocionais são ambíguos. Após a recaída, 56,8% dizem ter se sentido satisfeitos, enquanto 16,4% relatam confusão emocional e 7,3% arrependimento. Outros 19,4% afirmam que foi apenas sexo, sem impacto emocional.

Para a especialista, essa divisão revela o principal conflito das recaídas: elas aliviam no curto prazo, mas podem prolongar o luto. “Na maioria das vezes, elas não ajudam a elaborar o término. Mantêm o vínculo em suspensão. A pessoa não está junto, mas também não se permite ir.”

Recaídas são sinais

Para a especialista, o ponto central não é julgar o comportamento, mas escutá-lo. “Recaídas com ex não são falhas morais nem falta de amor-próprio. Elas são sinais.” Segundo ela, o problema não está em sentir vontade, mas em repetir algo que machuca sem entender o que está por trás.

“Quando o desejo vira repetição, a pergunta deixa de ser ‘por que voltei?’ e passa a ser ‘o que ainda não consegui elaborar?’”, conclui. A terapia, nesse processo, ajuda a separar desejo de apego, prazer de segurança e passado de possibilidade.

 

 





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