VIVER BEM | Quando guardar coisas deixa de ser hábito e vira doença

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Caso registrado em Tupã, onde uma força-tarefa retirou quatro caminhões de resíduos de um imóvel, chama atenção para o transtorno de acumulação, condição que afeta a saúde mental e pode colocar toda a vizinhança em risco.

Uma casa tomada por móveis velhos, madeiras, galhos, sucatas e objetos acumulados chamou a atenção em Tupã nesta semana. Após diversas denúncias de moradores, a Prefeitura realizou uma força-tarefa que retirou aproximadamente quatro caminhões de materiais do imóvel, eliminando riscos de proliferação de animais peçonhentos, incêndios e doenças.

Durante a vistoria, as equipes encontraram móveis, madeiras, galhos, entulhos e diversos objetos acumulados, criando um ambiente propício para a proliferação de mosquitos, escorpiões, aranhas, ratos e outros animais que podem transmitir doenças ou causar acidentes. Além dos riscos à saúde pública, o excesso de materiais também favorece o acúmulo de água da chuva, aumenta o risco de incêndios e compromete a segurança da própria residência e das casas vizinhas.

A ação foi realizada de forma imediata e resultou na retirada de aproximadamente quatro caminhões de materiais, devolvendo melhores condições de higiene e segurança ao local. O responsável pela Limpeza Urbana, Josias Rodrigues, destacou que esse tipo de intervenção é fundamental para proteger toda a comunidade.

"Quando encontramos uma situação como essa, não estamos cuidando apenas de um imóvel, mas da saúde de toda a vizinhança. O acúmulo de materiais favorece a proliferação de animais peçonhentos e de vetores de doenças, além de aumentar o risco de incêndios e outros acidentes. Nosso trabalho é eliminar esses riscos e garantir um ambiente mais seguro para a população", afirmou.

A Prefeitura de Tupã reforça que ações como essa são essenciais para prevenir problemas de saúde pública, preservar a qualidade de vida da população e manter a cidade mais limpa e segura. O município também destaca a importância da participação dos moradores, que, por meio das denúncias, contribuem para que situações de risco sejam identificadas e solucionadas com maior rapidez.

A administração municipal orienta que, ao identificar imóveis em condições semelhantes, a população utilize os canais oficiais para comunicar a situação, permitindo que as equipes técnicas realizem a avaliação e adotem as providências necessárias.

Não é preguiça. Não é desleixo.

Embora esse tipo de ocorrência seja frequentemente associado apenas à falta de limpeza ou organização, especialistas alertam que, em muitos casos, o problema está relacionado ao Transtorno de Acumulação, uma condição de saúde mental reconhecida que exige acolhimento e tratamento.

Esse talvez seja o maior equívoco. A pessoa acumuladora normalmente não consegue descartar objetos, mesmo quando eles já perderam qualquer utilidade.

Uma caixa, um jornal, uma embalagem, uma cadeira quebrada. Tudo passa a ter um valor emocional difícil de explicar. Jogar fora provoca sofrimento real.

Quando isso vira um problema?

Os especialistas apontam alguns sinais de alerta:

  • dificuldade extrema para descartar objetos;
  • compra ou coleta constante de itens sem necessidade;
  • cômodos deixam de cumprir sua função;
  • corredores ficam bloqueados;
  • vergonha de receber visitas;
  • isolamento social;
  • risco crescente de acidentes, incêndios e proliferação de pragas.

Colecionar é diferente

Muita gente confunde. Um colecionador organiza seus objetos, sabe exatamente o que possui e gosta de mostrar sua coleção. Já uma pessoa com transtorno de acumulação guarda objetos misturados, muitas vezes sem qualquer valor financeiro ou sentimental aparente, ocupando espaços essenciais da casa e comprometendo a rotina.

Os riscos vão além da própria casa

Foi exatamente isso que motivou a ação da Prefeitura de Tupã. No imóvel, o excesso de materiais favorecia a proliferação de:

  • mosquitos
  • escorpiões
  • ratos
  • aranhas
  • além do risco de incêndios e acidentes.



Como ajudar um familiar?

Os especialistas fazem um alerta importante: Nunca faça uma "limpeza surpresa"Apesar da boa intenção, jogar tudo fora sem autorização costuma provocar grande sofrimento emocional e pode até piorar o quadro.

O ideal é buscar ajuda profissional e trabalhar o desapego de forma gradual, sempre respeitando o tempo do paciente.

Existe tratamento?

Sim. O tratamento geralmente envolve:

  • acompanhamento psicológico;
  • Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC);
  • avaliação psiquiátrica quando necessário;
  • apoio da família;
  • em alguns casos, organizadores profissionais especializados.

Quando denunciar?

Quando o acúmulo coloca em risco a saúde pública ou a segurança da vizinhança, a orientação é procurar os canais oficiais da prefeitura da sua cidade, Vigilância Sanitária ou Ouvidoria.

As denúncias podem ser feitas de forma sigilosa e permitem que o poder público realize vistorias e adote as medidas previstas em lei.

O caso registrado em Tupã mostra que o transtorno de acumulação não deve ser visto apenas como um problema de limpeza urbana. 
Em muitos casos, trata-se de uma condição de saúde mental que exige tratamento, apoio familiar e atuação integrada dos serviços públicos.

Ao mesmo tempo em que protege a comunidade dos riscos ambientais e sanitários, a intervenção também pode representar a oportunidade para que a pessoa receba o acolhimento e a assistência de que precisa.






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