"É uma nova era no Brasil: menino veste azul e menina veste rosa." A fala da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, provocou polêmica por se referir a um estereótipo conservador. Agora imagine o que aconteceria se a ministra se deparasse, então, com um menino que usa não apenas rosa, mas um maiô rosa? Essa quebra de padrão já acontece e o mais curioso: pode ter sido lançada por um brasiliense.
Thum Thompson, 34 anos, aderiu ao uso dos maiôs em meados de 2012, inicialmente como uma brincadeira. "Comprei para usar em uma festa à fantasia. Fiz, com uma namorada da época, uma fantasia de nado sincronizado", lembra o brasiliense.
Depois de um tempo — e muitos olhares de estranhamento —, Thum passou a perceber que o uso do maiô também poderia ser um ato político. "Comecei a entender que era uma provocação e passei a usar em outros tipos de situação para gerar um questionamento. Óbvio que eu tenho privilégio por ser homem, branco, hétero, magro. Tudo isso diminui a chance de eu sofrer algum tipo de violência", reconhece.

Thum conta que os maiôs viraram sua "marca registrada". Seu guarda-roupa hoje tem 17 peças. Algumas feitas sob encomenda, mas a maioria comprada em lojas.
O uso de maiôs por homem pode virar uma tendência? Especialista em Coolhunting pelo Instituto Europeu de Design, em Milão, e coordenadora do curso de Moda do Iesb, Clarice Garcia, acredita que não. "Por enquanto, é uma inovação. Mas, muitas vezes, morre nisso. Imagino que fique mais comum, mas não imagino que vire tendência este ano", pontua.
Ciente de que sua brincadeira pode ter servido para quebrar barreiras, Thum concorda com a opinião da especialista de que o maiô em si não é a tendência. "Ele é uma forma que encontrei para fazer com que as pessoas pensem e entendam que é só uma peça de roupa. Quem disse que homem não pode usar maiô?", arremata.