Iniciativa liderada pelo videomaker Vinicius Ricci mobilizou moradores, comerciantes e crianças, resgatando um costume que marcou gerações de brasileiros durante os Mundiais
Quem viveu as Copas do Mundo das décadas de 1980, 1990 e início dos anos 2000 certamente guarda na memória as ruas decoradas com bandeiras, desenhos e pinturas em verde, amarelo, azul e branco. Mais do que uma simples ornamentação, a tradição sempre representou um momento de união entre vizinhos, famílias e comunidades inteiras em torno da paixão pelo futebol.
Em Quintana, a poucos dias do início da Copa do Mundo, esse costume voltou a ganhar vida graças à iniciativa do videomaker Vinicius Ricci (foto), que mobilizou moradores, comerciantes e crianças para transformar o calçadão central da cidade em um grande cenário de celebração ao futebol.
A ação chamou a atenção não apenas pela beleza do resultado final, mas também por resgatar uma tradição que, segundo os organizadores, nunca havia sido realizada de forma semelhante no município.
Uma lembrança da infância transformada em projeto
A ideia surgiu de experiências vividas por Vinicius quando morava na capital paulista.
Segundo ele, pintar as ruas durante a Copa era uma tradição comum nos bairros onde viveu, reunindo crianças, famílias e moradores em uma grande ação comunitária. Ele relatou ao Visão Notícias:
"Quando eu morava em São Paulo, sempre na época de Copa a gente pintava as ruas. Era uma ação que envolvia as crianças e toda a comunidade. Quando vim morar em Quintana, percebi que nunca tinha visto algo parecido por aqui e nem mesmo em cidades da região. Foi então que surgiu a ideia".
Após amadurecer o projeto, Vinicius buscou apoio junto ao vereador Eltom Bianchini, que aprovou a proposta imediatamente. Em seguida, a iniciativa foi apresentada ao prefeito Fernando Itapuã e à vice-prefeita Clarice Porto, que também apoiaram a realização da pintura. O local escolhido foi o calçadão central da cidade.
Crianças foram as protagonistas

Os trabalhos foram realizados no fim de semana, mobilizando cerca de oito adultos e 10 crianças. Entre pincéis, tintas e bandeiras, o que era para ser apenas uma decoração acabou se transformando em um momento de convivência comunitária.
Para incentivar a participação, os organizadores distribuíram salgadinhos, pipoca e refrigerante aos voluntários.
"O mais incrível foi ver as crianças participando, se divertindo ao mesmo tempo e falando que nunca vão esquecer esse momento. Isso tudo me fez ter certeza de que estávamos no caminho certo", destacou Vinicius.
Segundo ele, o receio inicial era que a proposta não despertasse interesse por se tratar de algo novo na cidade. A resposta da população, porém, foi exatamente o contrário.
Comerciantes colaboraram com a interdição temporária do trecho utilizado e moradores acompanharam e incentivaram a ação durante todo o processo.
Uma tradição que marcou gerações
A prática de pintar ruas para a Copa do Mundo se popularizou no Brasil principalmente a partir das décadas de 1970 e 1980. Em muitos bairros, moradores se organizavam para confeccionar bandeirinhas, instalar enfeites e criar grandes desenhos no asfalto com temas ligados à Seleção Brasileira.
Além de decorar as ruas, a iniciativa ajudava a fortalecer o espírito comunitário e criava um ambiente de festa que se estendia durante toda a competição.
Com o passar dos anos, a tradição perdeu força em muitas cidades, principalmente por questões relacionadas à legislação urbana e às mudanças nos hábitos sociais.
Mesmo assim, ações como a realizada em Quintana mostram que o costume continua vivo e ainda desperta entusiasmo entre diferentes gerações.
Quer pintar uma rua na sua cidade? Saiba o que fazer antes
Embora a ideia seja simples, especialistas recomendam alguns cuidados para evitar problemas e garantir a segurança de todos os envolvidos.
Entre as principais orientações estão:
- Solicitar autorização prévia junto à Prefeitura ou ao órgão responsável pela via;
- Preservar toda a sinalização existente, como faixas de pedestres, placas e marcações de trânsito;
- Utilizar tintas à base de água ou de fácil remoção;
- Priorizar ruas locais ou trechos com baixo fluxo de veículos;
- Solicitar licença de interdição temporária caso seja necessário bloquear a circulação durante a pintura ou nos dias de jogos.
As regras podem variar de município para município, por isso é importante consultar a administração local antes de iniciar qualquer intervenção.
Muito além do futebol
Em tempos em que grande parte das interações acontece pelas telas dos celulares, iniciativas como a de Quintana mostram que a Copa do Mundo ainda tem a capacidade de reunir pessoas, criar memórias e fortalecer laços comunitários.
Mais do que pintar uma rua, os participantes ajudaram a construir uma experiência coletiva que provavelmente será lembrada por muitos anos.
E talvez seja exatamente esse o maior legado deixado por ações como essa: transformar um simples desenho no chão em uma história capaz de atravessar gerações.
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