Quadrilhas transformam furto de gado em crime milionário no interior paulista. Região de Marília também está na rota

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Operação da Polícia Civil contra grupo especializado reacende alerta sobre o abigeato, crime que causa grandes prejuízos aos pecuaristas e cresce com a valorização da arroba do boi.

Enquanto crimes como furtos de veículos e roubos chamam mais atenção da população, outro delito vem preocupando cada vez mais os produtores rurais do interior paulista: o furto de gado, conhecido como abigeato. Nos últimos anos, as investigações apontam que esse tipo de crime deixou de ser praticado por ladrões ocasionais e passou a ser comandado por quadrilhas organizadas, capazes de furtar dezenas de animais em uma única madrugada.

O assunto voltou ao centro das atenções nesta semana após a Operação Laço Falso, deflagrada pela Polícia Civil na região de Presidente Prudente. A ação cumpriu 16 mandados de busca e apreensão contra integrantes de um grupo suspeito de furtar rebanhos bovinos em propriedades rurais.

Durante a operação, dois homens foram presos em flagrante por posse ilegal de arma de fogo, enquanto as investigações prosseguem para identificar todos os envolvidos e localizar os receptadores dos animais.

Oeste paulista é um dos principais alvos

Segundo as investigações, as quadrilhas atuam de forma planejada. Os criminosos estudam previamente as propriedades, escolhem horários de menor movimentação e utilizam caminhões para transportar rapidamente os animais, que depois são levados para fazendas em outras cidades ou até outros estados.

O Oeste Paulista tornou-se uma das regiões mais visadas justamente por concentrar um dos maiores rebanhos bovinos do Estado de São Paulo, com aproximadamente 1,7 milhão de animais, o equivalente a cerca de 20% do rebanho paulista.

Com a valorização da arroba do boi, os prejuízos para os pecuaristas podem chegar facilmente a centenas de milhares de reais em uma única ação criminosa.

Região de Marília também registra casos

A região de Marília não está livre desse tipo de crime. Recentemente, conforme mostrou o Visão Notícias, a Polícia Militar recuperou dois bovinos que eram transportados de forma irregular na caçamba de uma Saveiro, em Guarantã.

Os ocupantes abandonaram o veículo e fugiram para uma área de mata, enquanto a Polícia Civil tenta identificar o proprietário dos animais e esclarecer a origem do gado.

Em outras ocorrências registradas na região, criminosos chegaram a utilizar caminhões para transportar rebanhos inteiros. Em um dos casos, três homens foram presos após furtarem animais avaliados em cerca de R$ 40 mil, escondendo o gado em uma propriedade rural antes da venda ilegal.

Já a Operação Rédea Curta, realizada pela Polícia Civil, desarticulou uma quadrilha que chegou a manter um caseiro refém para roubar 17 cabeças de gado e utilizar o próprio caminhão da fazenda na fuga.

Como funciona o esquema

As investigações mostram que o gado furtado funciona como um verdadeiro "dinheiro em pé" para o crime organizado. Após o furto, os animais costumam ser levados para propriedades rurais de receptadores, onde são misturados a outros rebanhos.

Em seguida, documentos falsificados ou fraudulentos são utilizados para "legalizar" os bovinos, permitindo que eles sejam vendidos posteriormente em leilões ou encaminhados a frigoríficos como se tivessem origem regular.

Combate permanente

A Polícia Civil destaca que operações especializadas, como a Laço Falso (foto), têm como objetivo não apenas prender quem executa os furtos, mas também identificar receptadores e toda a estrutura criminosa responsável por dar aparência de legalidade aos animais roubados.

Para os investigadores, combater a receptação é uma das formas mais eficazes de reduzir esse tipo de crime, que continua causando grandes prejuízos econômicos ao agronegócio paulista e preocupação constante aos produtores rurais.





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