EXAPIT e Rodeio de Pompeia estão entre os eventos cancelados por causa das dificuldades financeiras enfrentadas pelos municípios. Entenda porque tantas prefeituras estão enfrentando dificuldades
Duas das principais festas populares da região não serão realizadas em 2026. A tradicional EXAPIT, em Tupã, e o Rodeio de Pompeia foram oficialmente cancelados pelas administrações municipais, que justificam a decisão pela necessidade de preservar o equilíbrio financeiro e priorizar investimentos em áreas consideradas essenciais.
Embora cada município tenha suas particularidades, o motivo é semelhante: a dificuldade enfrentada pelas prefeituras para manter as contas públicas em dia diante do aumento das despesas e da redução da capacidade de investimento.
Prefeito de Tupã justifica
Em Tupã, o prefeito Renan Pontelli informou que a administração optou pelo cancelamento da EXAPIT para garantir recursos destinados principalmente à saúde e à educação.
Segundo ele, uma emenda parlamentar prevista para ajudar no custeio do evento não pôde ser formalizada antes do período eleitoral, ficando disponível apenas após as eleições:
“A Administração optou por preservar o equilíbrio das contas públicas, garantindo investimentos na saúde, com a manutenção do Centro Pediátrico, medicamentos e consultas, além da continuidade da entrega na escolares de qualidade para os alunos da rede municipal”.
A Exposição Agropecuária e Industrial de Tupã (EXAPIT) 2026 começaria em 05 de agosto com grandes shows como Matheus & Kauan, Ícaro & Gilmar, Daniel, Mariana Fagundes, Pixote, Israel & Rodolfo, entre outros, além de mega estrutura.
Decisão semelhante em Pompeia
Já em Pompeia, a Comissão Organizadora do Rodeio informou que a decisão faz parte de um processo de reorganização financeira do município, buscando preservar as contas públicas e criar condições para que o evento volte a ser realizado futuramente.
O Rodeio é considerado uma das tradições importantes do município, reunindo história, cultura popular, entretenimento e movimentação econômica. Por isso, segundo a Comissão Organizadora, a decisão foi tomada com responsabilidade e respeito à trajetória do evento.
Dessa maneira, a comissão enfatiza que a não realização em 2026 é apresentada como uma medida pontual dentro de um processo de reorganização, buscando preservar o equilíbrio das contas públicas e criar condições para que o evento possa retornar futuramente com estrutura, planejamento e segurança.
Cenário se repete em várias cidades
O cancelamento dos eventos em Tupã e Pompeia acompanha uma realidade observada em diversos municípios brasileiros.
Cidades como Luiziânia, Sales, Embu-Guaçu e outras também suspenderam ou reduziram eventos tradicionais diante das dificuldades financeiras enfrentadas pelas administrações municipais.
O aumento dos custos de produção de grandes eventos, aliado à necessidade de manter investimentos em saúde, educação e infraestrutura, tem levado muitos prefeitos a reverem o calendário de festividades.
Por que tantas prefeituras estão enfrentando dificuldades?
Segundo a Confederação Nacional de Municípios (CNM), cerca de um terço das prefeituras brasileiras iniciou 2026 com dificuldades financeiras, acumulando dívidas e enfrentando queda na capacidade de investimento.
Entre os principais fatores apontados estão:
- redução e instabilidade dos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM);
- atraso ou suspensão de emendas parlamentares devido ao período eleitoral;
- aumento dos custos operacionais para realização de grandes eventos;
- crescimento das despesas obrigatórias com saúde, educação e folha de pagamento.
Além disso, o período eleitoral impõe restrições para novas transferências voluntárias de recursos da União e dos Estados, limitando ainda mais o orçamento das administrações municipais.
Prioridade passa a ser os serviços essenciais
Diante desse cenário, muitas administrações têm optado por concentrar os recursos na manutenção dos serviços públicos. Entre as prioridades estão:
- atendimento na saúde;
- compra de medicamentos;
- manutenção das escolas;
- transporte escolar;
- pagamento dos servidores;
- equilíbrio das contas públicas.
Na prática, eventos considerados importantes para a cultura e o turismo acabam ficando em segundo plano até que haja melhora na situação financeira.

Perspectivas para o segundo semestre
As perspectivas financeiras para os municípios brasileiros no segundo semestre de 2026 são de extrema restrição fiscal e asfixia orçamentária.
Embora o Congresso Nacional tenha aprovado flexibilizações recentes na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, a combinação do defeso eleitoral com o represamento de despesas do primeiro semestre gerará um cenário de "cobertor curto" para os prefeitos.
O panorama macroeconômico e fiscal desenha-se da seguinte forma:
- O Impacto Real do Defeso Eleitoral (Julho a Outubro) - O período de restrições oficiais começou em 4 de julho de 2026 (três meses antes do primeiro turno).
- Bloqueio de Transferências Voluntárias: Ficam proibidos novos repasses de verbas da União e dos Estados para os municípios, incluindo a maioria das emendas parlamentares. Prefeituras que dependiam desses aportes para iniciar obras locais ou custear serviços extras ficarão de mãos atadas até o fim do pleito.
- Exceções Legais: Estão permitidos apenas os repasses de recursos para obras que já estavam em andamento físico (com cronograma iniciado antes de julho) e verbas destinadas a emergências ou calamidades públicas.
Flexibilização da LDO 2026 pelo Congresso
Em maio, o Congresso Nacional derrubou vetos presidenciais importantes, trazendo um alento parcial que se refletirá no segundo semestre:
- Municípios Inadimplentes: Cerca de 3.100 pequenas cidades (com até 65 mil habitantes) que estavam com o nome "sujo" no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados (Cadin) ganharam a permissão de receber transferências e celebrar convênios federais.
- Doação de Bens com Contrapartida: Foi aberta uma brecha jurídica na Lei das Eleições que autoriza a entrega de bens públicos e insumos estaduais/federais a municípios mesmo no período eleitoral, desde que haja um encargo claro (como a doação de um terreno para construir uma creche).
Rigidez nas Despesas de Pessoal:
- Proibição de Reajustes: Desde abril de 2026, os gestores municipais estão totalmente proibidos de conceder aumentos salariais reais ao funcionalismo público, permitindo-se apenas a reposição exata da inflação.
- Contratações Travadas: A folha de pagamento das prefeituras enfrentará congelamento rígido de novas nomeações e contratações temporárias na reta final do ano, limitando severamente a expansão de serviços de atendimento ao público.
"Gargalo" do Fim do Ano (Novembro e Dezembro):
- Corrida contra os Restos a Pagar: Passado o período eleitoral em outubro, os prefeitos enfrentarão a pressão extrema para fechar as contas anuais. Como quase um terço dos municípios começou o ano no vermelho e atrasando fornecedores, o foco total será evitar o descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
- Dependência do FPM Extra: A grande expectativa para salvar o caixa em dezembro repousa no repasso adicional de 1% do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Historicamente mapeado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), esse balão de oxigênio financeiro será usado prioritariamente por mais de 94% das cidades para conseguir quitar o 13º salário dos servidores, inviabilizando qualquer outro tipo de investimento opcional.
Ações esperadas das Prefeituras:
- Cancelamentos contínuos: Festividades de fim de ano, aniversários de cidades e o Réveillon público devem seguir a mesma linha dos festejos juninos e rodeios, sofrendo cortes massivos.
- Paralisia de novas obras: Projetos que não saíram do papel até junho ficarão engavetados até 2027.
- Foco no custeio básico: Centralização absoluta de recursos na manutenção diária da saúde, educação e folha salarial.
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