Polícia Civil apreende medicamentos para emagrecer sem registro e prende duas pessoas em Marília

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Frascos de tirzepatida estavam escondidos em compartimento adaptado de um veículo; investigação continua para identificar a origem dos produtos.

Uma ação conjunta da Polícia Civil e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) resultou na apreensão de medicamentos à base de tirzepatida (usados para amegrecimento) sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e na prisão em flagrante de duas pessoas, na noite desta segunda-feira (13), em Marília.

A investigação, realizada pelo SIG (Serviço de Investigações Gerais) teve início após informações de que uma mulher estaria comercializando o produto de forma irregular. Durante a abordagem ao veículo utilizado pelos suspeitos, os policiais localizaram 16 frascos do medicamento escondidos em um compartimento adaptado no interior do automóvel.

Como os produtos não possuem registro na Anvisa, sua comercialização nessas condições é proibida no Brasil.

Os dois envolvidos foram levados à Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Marília, onde foram presos em flagrante, com base no artigo 273 do Código Penal, que trata da comercialização de medicamentos sem registro no órgão sanitário competente.

A Polícia Civil informou que as investigações prosseguem para identificar a origem dos medicamentos, a possível cadeia de distribuição e eventual participação de outras pessoas no esquema.

O que é a tirzepatida?

A tirzepatida é um medicamento indicado para o tratamento do diabetes tipo 2 e que também vem sendo utilizado, sob prescrição médica, no controle da obesidade.

A Polícia Civil destaca, porém, que o problema neste caso não é o princípio ativo em si, mas a apreensão de produtos sem registro na Anvisa, cuja comercialização é proibida por não haver garantia oficial sobre sua procedência, qualidade e segurança. 

Perigos do uso de produtos sem registro

O uso de medicamentos à base de tirzepatida sem o devido registro na Anvisa (como fórmulas manipuladas clandestinas ou versões contrabandeadas) coloca a vida em risco devido à total ausência de controle de segurança, eficácia e pureza.

Sem o aval do órgão regulador, o consumidor consome um produto sem qualquer garantia de fabricação, o que já levou a investigações de dezenas de mortes suspeitas associadas ao uso de substâncias irregulares de emagrecimento no Brasil.

Falta de pureza e contaminação por microrganismos:

  • Substâncias desconhecidas: Produtos sem registro não passam por testes laboratoriais oficiais. Podem conter impurezas perigosas, metais pesados ou outros componentes tóxicos na fórmula.
  • Infecções bacterianas: Medicamentos injetáveis exigem esterilidade absoluta. A fabricação clandestina pode introduzir bactérias diretamente na corrente sanguínea ou no tecido subcutâneo.

Dosagem incorreta e ineficácia:

  • Superdosagem: A falta de precisão na quantidade do princípio ativo pode desencadear crises severas de náuseas, vômitos incessantes, desidratação grave e hipoglicemia;
  • Subdosagem ou efeito placebo: O produto pode não conter nenhuma tirzepatida ativa, frustrando o tratamento do diabetes tipo 2 ou da obesidade e agravando as doenças originais.

Complicações médicas graves e falta de suporte

  • Efeitos adversos severos: O uso sem acompanhamento profissional de fórmulas paralelas pode levar a quadros críticos de pancreatite aguda, insuficiência renal crônica e até convulsões;
  • Impossibilidade de rastreio: Se o paciente passar mal, a equipe médica hospitalar não saberá exatamente o que foi injetado, dificultando o socorro imediato.

Como se proteger?

A única forma segura de realizar o tratamento é adquirindo o medicamento original (Mounjaro) em farmácias regulares credenciadas, mediante apresentação de receita médica controlada. Recuse qualquer oferta feita por redes sociais, aplicativos de mensagens ou diretamente em consultórios.





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