Entre os detidos está o então secretário municipal de Planejamento que foi exonerado após a operação.
A Polícia Civil informou nesta segunda-feira (13) que as investigações sobre o assalto sofrido pelo vereador Fernando Sirchia (foto), de Assis, apontam que o crime teve motivação político-administrativa e pode ter contado com a participação de pessoas ligadas ao alto escalão da Prefeitura.
As informações foram divulgadas durante a Operação "Veritas Vincit", conduzida pela Delegacia Seccional de Polícia de Assis e pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG).
Segundo a Polícia Civil, foram cumpridos quatro mandados de prisão temporária e oito mandados de busca e apreensão.
Entre os presos está o então secretário municipal de Planejamento, Obras e Serviços de Assis, que foi exonerado do cargo pela prefeita Telma Spera ainda nesta segunda-feira. A prisão é temporária, com prazo inicial de 10 dias.
Crime ocorreu em março
O caso aconteceu no dia 23 de março deste ano, quando Fernando Sirchia chegava em casa após compromissos políticos. Segundo relato do vereador à polícia, um homem se apresentou pelo interfone como pesquisador. Ao abrir o portão, o suspeito sacou um revólver, apontou a arma para seu peito e fez ameaças.
Além de roubar o telefone celular do parlamentar, o criminoso teria ordenado que ele "parasse de ser X9", afirmando que, caso contrário, ele e sua esposa seriam mortos.
Dias depois do episódio, o vereador anunciou afastamento temporário do mandato alegando preocupação com a segurança da família.
CPI investigava abastecimento da frota
O caso ganhou grande repercussão porque Fernando Sirchia preside a CPI dos Combustíveis, instaurada pela Câmara Municipal de Assis para apurar possíveis irregularidades no abastecimento da frota da Prefeitura.
Segundo a nota divulgada pela Polícia Civil, os elementos reunidos até o momento indicam que o crime não teria sido uma ação isolada do executor material, havendo indícios da participação de outras pessoas na idealização e coordenação da ação.
A Polícia Civil ressalta que essas conclusões ainda fazem parte da investigação e serão submetidas ao devido processo judicial. Confira trecho da nota oficial:
"Os elementos informativos produzidos até o momento indicam, em tese, que o crime foi motivado por razões de natureza político-administrativa, não se tratando de ação isolada do executor material. As investigações revelaram indícios da participação de outros envolvidos na idealização e coordenação da ação criminosa, inclusive pessoas ligadas ao alto escalão da Administração Pública Municipal, circunstâncias que fundamentaram as representações pelas medidas cautelares posteriormente deferidas pelo Poder Judiciário".
Prefeitura exonerou secretário
Em nota oficial, a Prefeitura de Assis informou que a exoneração do secretário teve caráter exclusivamente administrativo, com o objetivo de preservar a transparência da administração pública e permitir o andamento das investigações.
O município ressaltou ainda que a medida não representa reconhecimento de responsabilidade criminal, cabendo à Justiça definir eventual participação dos investigados.
Investigações continuam
De acordo com a Polícia Civil, o inquérito permanece em andamento. As próximas etapas incluem a análise do material apreendido durante a operação para esclarecer completamente a dinâmica dos fatos, identificar possíveis coautores, participantes e eventuais beneficiários do crime.
O nome da operação, "Veritas Vincit" — expressão em latim que significa "A Verdade Vence" — foi escolhido, segundo a corporação, para simbolizar o compromisso com uma investigação técnica, imparcial e baseada em provas. Com informações: Deinter-8/Assiscity e Abordagem Notícias
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Entenda o caso:
- 23 de março - Vereador é rendido na porta de casa e tem o celular roubado.
- Após o crime - Parlamentar se afasta temporariamente do mandato alegando preocupação com a segurança.
- 13 de julho - Polícia Civil deflagra a Operação "Veritas Vincit", cumpre prisões e informa que a investigação aponta, em tese, motivação político-administrativa.
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