Um personal trainer de 39 anos foi preso nesta sexta-feira (9) pela Polícia Civil, em Assis durante a operação “Higia”, voltada ao combate à venda e aplicação irregular de medicamento utilizado para emagrecimento, sem autorização legal e sem acompanhamento médico.
As investigações tiveram início a partir de informações indicando que esses profissionais de Educação Física estariam oferecendo e aplicando, à alunos e clientes, medicamento de uso controlado, com substância emagrecedora, com o princípio ativo da tirzepatida, substância cuja prescrição e administração dependem de indicação médica, nos termos da legislação sanitária vigente.
Segundo apurado, o medicamento vinha sendo utilizado como método rápido de emagrecimento, sem a devida prescrição, acompanhamento clínico ou esclarecimento adequado sobre os riscos à saúde, circunstância que, em tese, pode configurar crimes previstos na legislação penal e sanitária.
Através de autorização judicial, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão domiciliar, com apoio de dezesseis policiais civis. Na casa do personal trainer, foram apreendidas ampolas contendo os produtos emagrecedores e diversas seringas.
Ele foi preso em flagrante pelo crime de falsificar, corromper, adulterar produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais. A pena pode chegar a 15 anos de prisão.
Perigos da tirzepatida
O principal perigo associado à tirzepatida como "substância emagrecedora" é no uso irregular, sem acompanhamento médico e na compra de versões falsificadas ou manipuladas.
Embora a tirzepatida (princípio ativo do medicamento Mounjaro) seja aprovada pela Anvisa para o tratamento de diabetes tipo 2 e, em indicações mais recentes, para obesidade e apneia obstrutiva do sono, seu uso fora dessas condições e sem supervisão profissional expõe os pacientes a sérios riscos.
Confira:
- Produtos falsificados e adulterados: o maior risco vem de canetas "emagrecedoras" clandestinas vendidas sem registro. Esses produtos podem não conter a tirzepatida, ter doses incorretas ou, pior, conter substâncias contaminadas ou adulteradas, o que torna impossível prever seus efeitos no corpo humano;
- Falta de acompanhamento médico: o uso de medicamentos potentes, como a tirzepatida, exige uma avaliação médica rigorosa para determinar a dosagem correta, monitorar a saúde do paciente e ajustar o tratamento;
- Efeitos colaterais graves: quando usada de forma inadequada, a tirzepatida pode causar efeitos colaterais que, embora geralmente transitórios em tratamentos supervisionados, podem se tornar perigosos, incluindo náuseas e vômitos intensos, dor abdominal forte, diarreia persistente, pancreatite (inflamação do pâncreas) e, em casos extremos, coma;
- Riscos a longo prazo: o uso indiscriminado pode levar a complicações irreversíveis, como o desenvolvimento de cálculo biliar (pedra na vesícula).
- "Efeito sanfona": a interrupção abrupta do medicamento, comum quando o tratamento não é planejado por um médico, pode fazer com que a fome e o peso voltem rapidamente, levando ao reganho de peso.
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