Padrasto acusado de matar enteado escondeu versão de tiro acidental

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A demora de Charle de Jesus Santos, 27 anos, em admitir que foi o autor do disparo que vitimou o enteado Guilherme Santos da Silva, 9, no final da tarde da terça-feira (22), foi motivada pelo medo de também ser baleado e morto. Essa foi a versão contada pelo garçom, em depoimento prestado à polícia, no qual ele alegou ter sido um tiro acidental que atingiu a nuca do garoto, dentro de um sítio de Cachoeirinha, zona rural de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. 

Charle contou na delegacia, que tinha receio que um traficante, tio de Guilherme, o matasse, já que imaginou que ele não acreditaria na versão que afirma ser a verdadeira.

O disparo saiu da espingarda calibre 28 de um homem apelidado Neném, amigo de Charle e caseiro do sítio onde o suposto acidente aconteceu, e atravessou a cabeça da criança, que morreu na hora.

Passeio trágico - No depoimento, o padrasto contou que foi com o enteado até o sítio onde um amigo de nome Neném,  trabalhava para pegar jaca.  Lá, Charle teria começado a manusear a arma do caseiro junto com o amigo e, então, atingido o garoto. O caseiro Neném, está foragido e a polícia investiga o seu paradeiro.

Ainda segundo Charle, depois do tiro, Neném fugiu do local com a arma. “Na hora da explosão, ele saiu correndo pelos matos”, comentou. 

Sem saber o que fazer, Charle disse que correu até a casa de outro amigo que mora perto do sítio, para buscar ajuda, mas Guilherme já estava morto. 

Versão desencontrada - No entanto, ele entrou em contradição durante os depoimentos dados à polícia. Antes de assumir a autoria do disparo, o padrasto havia contado à família uma versão de que a criança foi morta por engano por uma pessoa não identificada, e que o alvo seria o caseiro Neném.

A verdade, porém, veio à tona quando ele foi intimado para ir à delegacia. 

Charle foi autuado em flagrante por homicídio culposo – quando não há intenção de matar - e está à disposição da Justiça. O enterro da criança foi as 11h desta quinta.

Guilherme morava com a mãe, Olga Silva, com a irmã, Bianca Silva, e com o padrasto, há cerca de quatro anos.

Protesto na Linha Verde - A morte de Guilherme chocou a família e comoveu toda a vizinhança. Mais de 300 moradores seguiram para a Linha Verde, próximo à casa da avó da criança, para protestar e pedir justiça, além de segurança na região.

Pressão por investigação - Apesar de nunca ter suspeitado de que Charle, padrasto do menino, teria feito o disparo, Josué Rodrigues, tio da vítima, não acredita que a morte do menino foi acidental. Ele promete, junto com a família, ir ao Ministério Público, pedir que ele seja denunciado por premeditação do crime. "Foi frio e calculista. Levou o menino para matar", considerou.

 







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