Caso é mistério: aeronave pertencia à empresário assassinado em 2022. Sobreviventes permanecem internados sob escolta policial.
O que inicialmente parecia ser um acidente aéreo ganhou novos desdobramentos após a queda de um helicóptero em uma área de mata em Iaras, na região de Avaré (a cerca de 160 quilômetros de Marília). Um dos ocupantes era procurado pela Justiça (por tráfico e roubo) e a aeronave estava com o Certificado de Aeronavegabilidade vencido.
O helicóptero caiu na noite de sábado (19), próximo à Rodovia Castelo Branco. Uma das três pessoas que estavam a bordo conseguiu entrar em contato com a polícia na manhã de domingo (20) e pedir socorro.
As buscas mobilizaram policiais militares, Corpo de Bombeiros e o helicóptero Águia. Sob chuva e em uma região de mata fechada, as equipes localizaram os três ocupantes com vida. Eles foram retirados do local e encaminhados para atendimento médico.
Um dos ocupantes era procurado
A ocorrência ganhou outro rumo durante a identificação dos sobreviventes. Segundo a Polícia Militar, um deles teria fornecido dados diferentes de sua verdadeira identidade.
Após consultas aos sistemas policiais, foi constatado que o homem, de 44 anos, era procurado pela Justiça. De acordo com o registro da ocorrência, havia contra ele três mandados de prisão relacionados a processos por tráfico de drogas e roubo, que foram cumpridos.
A PM informou ainda que o piloto possuía registro anterior por tráfico de drogas. Isso, por si só, não estabelece relação entre esse antecedente e o voo ou a queda da aeronave. Ele e os demais ocupantes permanecem internados sob escolta policial
Helicóptero estava irregular
Outro ponto passou a ser investigado: a situação do próprio helicóptero. Consulta feita pela CNN Brasil aos registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) apontou que o Certificado de Aeronavegabilidade estava vencido desde maio de 2019. Nessas condições, a aeronave não estava autorizada a voar.
Também não havia autorização para operação comercial como táxi aéreo. A documentação e as circunstâncias do voo serão apuradas. As primeiras informações divulgadas após o acidente apontaram que o PT-YBL teria decolado de Guararema/SP com destino a Londrina/PR. A origem e o destino também aparecem nas informações divulgadas à imprensa durante o atendimento da ocorrência.
A ocorrência foi registrada envolvendo atentado contra a segurança de transporte aéreo, lesão corporal e captura de procurado. Polícia Civil, Polícia Científica e órgãos responsáveis pela investigação aeronáutica participam das apurações. As causas da queda ainda não foram esclarecidas.
Paralelamente à investigação policial, investigadores do Quarto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA IV) foram acionados pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) para realizar a Ação Inicial da ocorrência envolvendo a aeronave. Nessa etapa são coletados dados, avaliados os danos da aeronave e reunidas informações que poderão ajudar na identificação dos fatores contribuintes para o acidente.
Características da aeronave
O helicóptero envolvido no acidente é um Agusta modelo A109C (prefixo PT-YBL), uma variante clássica biturbina configurada para uso privado e com capacidade para até seis pessoas. É amplamente reconhecido por sua alta velocidade, design aerodinâmico elegante e trem de pouso retrátil, sendo uma das aeronaves preferidas para transporte executivo VIP, missões aeromédicas e utilitárias.
A aeronave pertence ao espólio do empresário Valdir Gabriel da Silva, que foi assassinado em 2022 em Ribeirão Preto. No Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), constavam restrições de "proprietário falecido", uma ordem judicial que impedia a transferência do bem e a operação explicitamente negada para táxi-aéreo.
ENTENDA RÁPIDO:
O essencial desta matéria em tópicos:
- O acidente - O helicóptero caiu em uma área de mata em Iaras. Os três ocupantes foram encontrados com vida na manhã seguinte;
- Procurado pela Justiça - Um dos sobreviventes era procurado e, segundo a polícia, teria apresentado dados diferentes de sua verdadeira identidade. Três mandados de prisão foram cumpridos;
- Situação do piloto - A Polícia Militar informou que o piloto também possuía registro anterior por tráfico de drogas. Não há porém, até o momento, indicação de relação desse antecedente com o acidente;
- Helicóptero irregular - Consulta aos registros da Anac apontou Certificado de Aeronavegabilidade vencido desde 2019. A aeronave não estava autorizada a voar;
- O que será investigado - Além das causas da queda, serão apuradas a documentação da aeronave e as circunstâncias em que o voo estava sendo realizado.
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