As alas deste Hospital psiquiátrico são comparadas ao inferno
Um hospital psiquiátrico na Guatemala foi descrito por ativistas como a instituição médica mais perigosa do mundo. Ex-pacientes dizem que foram abusados sexualmente enquanto sedados, e o próprio diretor admite – filmado por uma câmera escondida – que seus pacientes ainda são abusados.
Por todo o lado, corpos imóveis deitados no chão de concreto do pátio sob o sol ardente. Os pacientes parecem estar altamente sedados. Os cabelos foram raspados e eles usam trapos como roupas e nada nos pés.
Outros estão totalmente nus, expondo a sujeira, causada às vezes pelas próprias fezes e urina. Eles se parecem mais com prisioneiros de campos de concentração do que com pacientes.
O Hospital Federico Mora tem cerca de 340 pacientes, incluindo 50 criminosos violentos e mentalmente perturbados. Mas, segundo o diretor do hospital, Romeo Minera, apenas uma minoria tem sérios problemas mentais.
Desespero
Andar em uma das alas é como entrar em um inferno. Pacientes em trapos sentados no chão e em cadeiras de plástico, balançam-se em busca de conforto.
Dois ou três profissionais são responsáveis por 60 a 70 pacientes. Outros dizem que a única maneira de lidar com eles é sedando-os.
Andando pelos quartos localizados em um corredor longo e escuro, há mais pacientes deitados em camas de metal quebradas e enferrujadas.
Eles parecem sedados demais para andar até o banheiro. Há poças de urina nos colchões, e as roupas de alguns dos pacientes estão coberta pelas próprias fezes.
Em resposta à investigação, o governo da Guatemala disse que o hospital "usa a menor dose de sedativos como recomendado pela Organização Mundial de Saúde" e defendeu as condições do hospital.
Abusos
Mas este não é o fim do horror. Durante uma filmagem secreta, o diretor faz uma confissão surpreendente – os guardas abusam sexualmente dos pacientes. O hospital, diz ele, é um lugar "onde tudo pode acontecer".
Ex-pacientes contam terem sido estuprados no Federico Mora. Eles afirmam que os agressores eram, agentes da polícia, enfermeiros e alguns médicos também.
O mais terrível
O grupo americano defensor dos direitos de deficientes Disability Rights International (DRI) passou três anos recolhendo provas sobre o Federico Mora. Em um relatório publicado em 2012, o grupo descreveu o hospital como "a instalação mais perigosa que nossos investigadores já viram em qualquer lugar nas Américas".
O relatório explica que pacientes tiveram cuidados médicos negados, foram expostos a doenças e infecções graves e contagiosas e, agravado pelo abuso sexual "generalizado", estavam em risco de contrair HIV.
Os pacientes são mantidos em isolamento e ficam presas nessas cela durante horas ou dias.
A DRI está preparando um novo processo judicial contra o governo da Guatemala numa tentativa de fechar o hospital. O caso será analisado em meados de 2015.
A equipe do hospital teme represálias se conversar com a imprensa, mas alguns funcionários aceitaram em falar:
"Não temos os remédios que precisamos para tratar pacientes. É sujo, há ratos e baratas", admitiu uma funcionária.
"Não é perigoso só para os pacientes, mas para nós também, já reclamamos, mas ninguém ouve. Trabalhar no hospital é horrível".
Envie-nos sugestões de matérias: (14) 99688-7288
A Agilidade no Jornalismo Online









