“Não podia deixá-lo ali”: técnica de enfermagem passa duas horas protegendo macaco atropelado em Marília

Compartilhe:




Animal foi encontrado bastante ferido no meio de uma rua movimentada da zona norte. Maristela Gomes permaneceu ao lado do macaco-prego até a chegada da equipe de salvamento e ainda ajudou no resgate.

O que seria apenas o caminho de volta para casa depois de deixar a filha na escola acabou se transformando em uma operação improvisada para salvar um animal silvestre. A técnica de enfermagem Maristela Gomes permaneceu por cerca de duas horas protegendo um macaco-prego aparentemente atropelado até a chegada do Corpo de Bombeiros, no começo da tarde desta quinta-feira (27), em Marília.

O caso aconteceu na rua José Bonifácio, no bairro Palmital, zona norte da cidade. Maristela voltava para casa quando percebeu o macaco no meio da rua, assustado em meio ao intenso movimento de veículos. Ela imediatamente parou o carro. Outro motorista também interrompeu a viagem para ajudar e, juntos, conseguiram fazer com que o animal saísse da pista e fosse para a calçada.

Foi então que perceberam a gravidade da situação. O macaco apresentava vários ferimentos e uma das patas aparentava estar quebrada. Pelas condições em que foi encontrado, a suspeita é de que tenha sido atropelado.

“Fiquei o tempo todo com o macaquinho”

Maristela contou ao Visão Notícias que inicialmente ligou para o telefone 190 da Polícia Militar. Segundo seu relato, diante das dificuldades para repassar naquele momento todas as informações solicitadas pelo atendimento, a ocorrência acabou sendo direcionada ao Corpo de Bombeiros.

Atualmente, tanto o Centro de Operações da Polícia Militar que atende Marília quanto o atendimento regional das chamadas de emergência do Corpo de Bombeiros estão centralizados em Bauru.

Enquanto aguardava o socorro, Maristela decidiu que não iria embora.

“Fiquei o tempo todo com o macaquinho. Se eu saísse do local ele poderia ser atropelado novamente. O macaquinho percebeu que eu queria ajudar e ficou bem calmo”.

Foram aproximadamente duas horas de espera, segundo a técnica de enfermagem. Durante todo esse período, ela permaneceu ao lado do animal, evitando principalmente que ele retornasse para a rua e ficasse novamente exposto aos veículos.

Confiança até na hora do resgate

Quando os bombeiros finalmente chegaram, aconteceu uma situação curiosa. O macaco, que permanecera relativamente tranquilo na presença de Maristela, ficou agitado com a aproximação da equipe.

A própria técnica de enfermagem acabou auxiliando os bombeiros durante o resgate. Depois de retirado do local com segurança, o animal foi encaminhado para a Polícia Militar Ambiental, onde, segundo as informações repassadas ao Visão Notícias, receberia atendimento emergencial por meio de veterinários parceiros.

A expectativa é que, após avaliação dos ferimentos, seja definida a sequência do tratamento e, futuramente, se houver recuperação e condições adequadas, a destinação do animal pelos órgãos ambientais competentes.

Conheça o macaco-prego

Pelas características observadas na fotografia, o animal resgatado é um macaco-prego, primata facilmente reconhecido pelo corpo robusto e pelos característicos tufos de pelos na cabeça. A identificação exata da espécie, entretanto, depende de avaliação especializada. Por isso, o Visão Notícias prefere não definir o nome científico somente pela imagem.

Os macacos-prego estão entre os primatas brasileiros conhecidos pela inteligência e capacidade de adaptação. Possuem alimentação bastante variada, que pode incluir frutos, sementes, insetos e pequenos animais. Também podem deixar as árvores e circular pelo solo em busca de alimento.

No Estado de São Paulo, materiais da Comissão Pró-Primatas Paulistas apontam o Sapajus nigritus como a espécie encontrada amplamente no território paulista, enquanto Sapajus libidinosus ocorre no extremo norte.

A proximidade entre fragmentos de mata e áreas urbanizadas pode aumentar os encontros entre esses animais e seres humanos. A perda e a fragmentação de habitats também estão entre os fatores que podem levar primatas a circular por ambientes modificados pelo homem.

No caso desta quinta-feira, há área de mata nas proximidades do local onde o macaco foi encontrado. Não é possível afirmar, porém, que ele tenha saído da mata especificamente à procura de alimento — eu tiraria essa afirmação da matéria porque seria uma hipótese nossa.

Uma parada que pode ter salvado o animal

Maristela poderia ter seguido viagem. Em vez disso, estacionou o carro, tirou o animal da situação de risco com a ajuda de outro motorista e decidiu permanecer ali até que o socorro chegasse.

Por aproximadamente duas horas, uma técnica de enfermagem acostumada a cuidar de pessoas acabou tendo um paciente bastante diferente pela frente. E somente deixou o local depois que o macaco-prego ferido estava nas mãos da equipe de salvamento.

 




Receba nossas notícias no seu celular: Clique Aqui.
Envie-nos sugestões de matérias: (14) 99688-7288


Desenvolvido por StrikeOn.