Mulheres arriscam a liberdade para levar drogas a companheiros em presídios

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Flagrante registrado na região de Marília, neste fim de semana, expõe uma realidade que se repete em todo o país e revela como vulnerabilidade emocional, pressão e o crime organizado acabam levando muitas mulheres ao sistema prisional.

Uma jovem de 27 anos foi presa em flagrante neste fim de semana ao tentar entrar com drogas na Penitenciária de Álvaro de Carvalho, na região de Marília. Ela escondia três porções de maconha nas partes íntimas e pretendia entregá-las ao companheiro, que cumpre pena na unidade.

O entorpecente foi descoberto durante a revista realizada por meio do scanner corporal, equipamento que vem reduzindo significativamente esse tipo de tentativa nos presídios paulistas.

O caso, no entanto, está longe de ser isolado. Situações semelhantes são registradas com frequência em presídios de todo o Estado e ajudam a revelar uma das faces mais delicadas do sistema prisional brasileiro, envolvendo relações afetivas, vulnerabilidade social e a influência exercida por organizações criminosas.

Muito além do flagrante

Levar drogas para dentro de estabelecimentos prisionais configura tráfico de drogas com causa de aumento de pena, prevista no artigo 40 da Lei de Drogas, o que torna a punição ainda mais severa.

Apesar do risco, muitas mulheres continuam sendo flagradas tentando transportar entorpecentes escondidos nas roupas, bagagens ou até mesmo no próprio corpo.

Especialistas apontam que, em muitos casos, essas mulheres não ocupavam posição de liderança no tráfico antes da prisão. Elas acabam envolvidas por uma combinação de fatores como dependência emocional, pressão exercida pelos companheiros presos, dificuldades financeiras e, em algumas situações, ameaças de integrantes de organizações criminosas.

Outra realidade observada pelas autoridades é o aliciamento de visitantes nas proximidades das unidades prisionais, onde criminosos se aproveitam da fragilidade emocional e econômica de familiares para oferecer dinheiro ou impor o transporte de drogas para o interior dos presídios.

Tecnologia dificulta ação dos criminosos

A implantação dos scanners corporais nas unidades prisionais reduziu significativamente as chances de sucesso desse tipo de crime.

Os equipamentos conseguem identificar objetos escondidos sob as roupas ou no interior do corpo, permitindo que as tentativas sejam descobertas antes mesmo da entrada dos visitantes.

Na maioria dos casos, o resultado é imediato: prisão em flagrante, instauração de processo criminal e ingresso dessas mulheres no sistema prisional.

Uma nova tragédia familiar

O impacto costuma ir além da prisão. Grande parte dessas mulheres é formada por jovens e mães de crianças pequenas. Quando acabam presas, os filhos frequentemente passam a depender de avós, outros familiares ou, em situações mais graves, da rede de acolhimento institucional.

Outro aspecto frequentemente destacado por estudiosos do sistema prisional é a diferença entre o apoio recebido por homens e mulheres encarcerados. Enquanto unidades masculinas costumam registrar grande presença de familiares nos dias de visita, muitas mulheres presas acabam enfrentando o cárcere praticamente sozinhas, com pouca ou nenhuma assistência familiar.

O caso registrado na região de Marília reforça essa realidade e mostra como uma decisão tomada em poucos minutos pode mudar completamente a vida de quem, muitas vezes, acreditava estar apenas ajudando alguém de quem gostava.





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