É que a região reúne características semelhantes às áreas mais raras e com o metro quadrado mais disputado do Brasil, que fazem das moradias urbanas cercadas pela natureza a maior tendência de procura e de maior investimento do mercado imobiliário .
A escolha por uma moradia em área urbana próxima a uma APP (Área de Preservação Permanente) de mata nativa consolidou-se como uma das principais tendências do mercado imobiliário, impulsionada pelo novo perfil de consumo por moradias que buscam por qualidade de vida próximo à natureza e pelo alto potencial de valorização do imóvel.
Quem segue para a Zona Leste de Marília pela Avenida Brigadeiro Eduardo Gomes, um lado da cidade totalmente urbanizado, com comércio estabelecido e infraestrutura de lazer, com restaurantes, academias, supermercados e o aeroporto estadual, não imagina que está entrando em uma das formações geográficas mais raras do País, um platô cercado por paredões de pedra e Mata Atlântica que culminam na estrada rural da Serra da Cincinatina, em direção ao Distrito de Dirceu.
Vista de satélite comprova que a Zona Leste é um oásis, cerca de mata, vales, córregos, com muita fauna e flora transformando a qualidade de vida dos moradores.
Um verdadeiro oásis, pois esta pequena porção urbana não possui muitas áreas livres para expansão urbana e está cercado por uma natureza protegida, que chega a ser 20 vezes o tamanho do Bosque Municipal. O bosque possui 20 hectares de mata nativa e os arredores de toda Zona Leste se beneficiam de 400 hectares de floresta nativa, somados a dois vales com dois córregos que abrigam sítios e fazendas (Cascata e Palmital).
E sobretudo uma região de apelo turístico e promoção de entretenimento, com seus bares típicos, restaurantes diversos, o próprio Bosque Municipal e mais recentemente o Yara Park com quadras de tênis, beachtennis e campo de futebol. A Zona Leste é uma parte viva de Marília, diferenciada e que torna a cidade ainda mais rica em diversidade.
A tendência
Estudos de comportamento de consumo mostram que viver perto do verde deixou de ser um mero desejo estético para se tornar um critério essencial de compra. Uma pesquisa realizada pela Brain Inteligência Estratégica aponta que novas gerações de compradores priorizam o bem-estar e o contato com vegetação preservada no momento de escolher onde morar.
Vista aérea do Eixo dos "Canyons" e Montanhas Protegidas de Belo Horizonte e Nova Lima l em Minas Gerais.
Um dos levantamentos mais expressivos do mercado nacional, realizado pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC), mostrou que a busca por sustentabilidade e bem-estar moldou o comportamento do comprador: 57% dos entrevistados buscam ativamente imóveis que apresentem espaços arejados e integrados com a natureza. 56% dos respondentes afirmaram que estão dispostos a pagar mais caro por um imóvel que comprove características sustentáveis e contato com o verde.
Estudos de mercado no Brasil consolidados por consultorias imobiliárias apontam que a proximidade com cinturões verdes gera um impacto financeiro direto no metro quadrado. Imóveis próximos ou integrados a áreas verdes e de preservação registram uma valorização média de 10% a 20% acima de propriedades similares localizadas em áreas puramente urbanizadas. Um levantamento da FipeZAP+ focado no impacto de bairros planejados verdes apontou que 29% dos potenciais compradores colocam o acesso a áreas naturais urbanas ou reservas como um diferencial decisivo na escolha do empreendimento.
Residenciais da "Borda de Tarumã" em Ponta Negra, Manaus, também exploram a mata nativa do entorno para valorizar condomínios fechados
O que explica essa forte tendência é a busca por qualidade de vida imediata, onde moradores buscam ar mais puro, menos poluição sonora, temperaturas locais mais amenas e espaço para atividades físicas ao ar livre, fornecida pelas ruas calmas, o bosque ao lado e até trilhas nos itambés. O bairro tem como vizinhos dois córregos, o do Cascata e do Palmital, que contribuem para a promoção desse microclima local.
Outra justificativa, mais mercadológica, é a de que a escassez e a exclusividade tornam o investimento mais valorizável. As áreas verdes preservadas são limitadas. Como a oferta de terrenos ao redor dessas zonas é restrita pela legislação, o valor desses imóveis tende a subir continuamente devido à escassez.
O crescimento
O mercado imobiliário da cidade está atento a estas tendências. Tanto que nos últimos 20 anos começou a investir em moradias de alto padrão, com áreas de lazer e serviço agregados em forma de condomínios fechados, e mais recentemente um bairro ecológico foi lançado ao lado do bosque.
Encostas de Cacupé em Florianópolis (SC), em que bairros aproveitam a encosta para instalar os condomínios de luxo.
Se por décadas essa região oferecia apenas uma opção de alto valor para famílias exigentes, o Garden Park, hoje já se somam 18 grandes empreendimentos de médio e alto luxo. Desde as Chácaras Santa Gertrudes ganharam roupagem de condomínio, como o Villa Flora, Costa do Ipê, Jardins do Ipê, Dahma Urbanizadora, Portal da Serra, Terras da Fazenda, Amarilis, Vila Romana, Ecopark, entre outros.
A Zona Leste de Marília pode ser enquadrada como um oásis urbano cercado de natureza por oferecer aspectos geográficos semelhantes ao que as áreas mais raras e com o metro quadrado mais disputado do Brasil costumam partilhar, que é essa associação geomorfológica e ecológica, que misturam a geografia acidentada (como vales, encostas ou "itambés") com mata nativa perfeitamente protegida. Esse formato hoje atua como um dos maiores combustíveis de valorização imobiliária do Brasil.
Os exemplos

Bairro do Joá no Rio de Janeiro se aproveita dos itambés para incrustar mansões em seus paredões .
Os exemplos consagrados no País são as regiões valorizadas do Eixo dos "Canyons" e Montanhas Protegidas de Belo Horizonte e Nova Lima na Serra do Curral em Minas Gerais. Ou como no Rio de Janeiro, no bairro do Joá, quase exclusivo de mansões incrustadas nas rochas do penhasco de itambés. Ele é cercado pela mata densa e protegida do Parque Nacional da Tijuca de um lado e pelo oceano do outro.
Outro exemplo fica em Manaus (AM), nos Residenciais da "Borda de Tarumã" em Ponta Negra, em que condomínios horizontais fechados são altamente valorizados por estar localizados nas bordas das florestas nativas e igarapés.
Por fim as Encostas de Cacupé em Florianópolis (SC), em que bairros aproveitam a "encosta e refúgio" com condomínios de luxo que escalam morros íngremes de mata nativa preservada.
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