O mercado de arte e esculturas sacras do Brasil continua em crescimento. Apesar de novas religiões terem ganhado destaque, visto que o catolicismo reduziu nos
últimos anos, os católicos continuam sendo a maioria, correspondendo 65% da população, segundo o último levantamento do IBGE de 2010. Isso faz do Brasil o país com mais católicos do mundo, com 123 milhões de fiéis.
Dessa forma, imagens de santos continuam sendo alvo do desejo de muitos consumidores religiosos que mantém a tradição de terem em suas casas esculturas imagens para a profissão de suas fés. Coincidentemente ou não, as regiões mais ricas e com maior tradição católica são as que mais compram esculturas sacras no Brasil: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, onde também estão localizados grandes colecionadores de arte sacra.
País católico
A tradição católica do país veio com a colonização portuguesa, e é uma das razões para que a arte barroca fosse difundida por todo o país, especialmente nas cidades mais ricas. O estilo barroco originou-se na Itália e difundiu-se por grande parte da Europa, chegando às Américas e marcando a arte brasileira.
Um dos motes do barroco era criar igrejas suntuosamente decoradas, para demonstrar o poderio da Igreja (que significaria a glória de Deus), com afrescos e esculturas que reproduzissem uma atmosfera cênica, com a reprodução de imagens em movimento e excessivamente dramáticas, a fim de estimular a maior devoção sentimental dos fieis.
Devido a possibilidades mais livres de criação, o barroco latino-americano abriu espaço para que artistas locais e elementos das culturas regionais fossem integrados aos símbolos católicos e representados nas artes barrocas, também como forma de criar identificação com as populações locais.
O barroco brasileiro, datado do começo do século XVII, foi introduzido por missionários jesuítas, que vieram para o país com o objetivo de catequizar (e aculturar) povos indígenas e ajudar os portugueses no projeto colonizador.
Uma das principais figuras do barroco brasileiro é o Mestre Aleijadinho (Antônio Francisco Lisboa), cuja principal obra, o conjunto do Santuário do Bom Jesus do Matosinhos composto por esculturas feitas em madeira e pedra sabão, se encontram na cidade de Congonhas do Campo, em Minas Gerais. É dele também a Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto
Sincretismo Religioso
A arte sacra entrou no cotidiano dos brasileiros, e a presença de imagens de santos tradicionalmente ganhou importância e relevância na vida social do país. Mesmo pessoas não católicas adquirem imagens de santos, seja por motivos de decoração e apreciação de arte, seja por conta do sincretismo religioso.
Muito são os santos católicos apropriados por religiões afro-brasileiras, como a umbanda, que mistura elementos do candomblé, do catolicismo e ainda do espiritismo kardecista. Surgida no começo do século XX, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, a religião logo se espalhou por todo o país, assumindo traços diferentes e sotaques locais.
A umbanda segue a tendência adotada pelos povos africanos de origem ioruba que, não podendo cultuar livremente seus orixás, associavam essas divindades africanas a santos católicos, em um processo de sincretismo religioso e cultural.
Assim, a partir de traços imagéticos e características, cada orixá era associado a um santo católico como, por exemplo, Santa Bárbara, associada à Iansã, Ogum a São Jorge (no Rio de Janeiro) e Santo Antônio (em Salvador). Já Nossa Senhora Aparecida é associada a Oxum no Rio de Janeiro e em São Paulo (na Bahia, Oxum foi sincretizada com a imagem de Nossa Senhora da Conceição).
Santos de Devoção
A imagem de Nossa Senhora Aparecida foi encontrada em 1717 por pescadores em um rio no Vale do Paraíba. Desde então, o seu culto, por conta dos milagres realizados, se difundiu por todo o país, e a santa se tornou padroeira do Brasil. Seu dia é comemorado em 12 de outubro. Outro santo bastante requisitado é Santo Antônio, uma das mais conhecidas figuras da Igreja Católica.
No Brasil, ele é conhecido como o “santo casamenteiro”, sendo alvo de grande devoção popular, e também integrando o panteão de santos celebrados nas festas juninas de todo o país.
Não se sabe ao certo a origem de sua fama em realizar casamentos, mas é bastante antiga a tradição folclórica de se retirar a imagem do menino Jesus da escultura, que só é devolvida quando se consegue um pretendente.
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