Paradeiro do senador gera dúvidas. Presidente Trump questiona resultado da votação, com suspeita de fraude.
Menos de 48 horas após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais, uma série de medidas judiciais e investigações envolvendo o senador movimenta o cenário político brasileiro. Para muitas lideranças essas decisões seriam "retaliações políticas".
Nesta terça-feira (27), a Polícia Federal cancelou os passaportes comum e diplomático de Flávio, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida ocorreu após o parlamentar não entregar os documentos no prazo estabelecido.
A decisão está relacionada a uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Investigadores também apontaram preocupação com uma possível saída do senador do país. Flávio nega que pretendesse deixar o Brasil e classificou a medida como uma tentativa de intimidação.
Paradeiro do senador gera dúvidas
Informações divulgadas pela imprensa indicam que pessoas próximas ao senador receberam relatos de que ele teria deixado o Brasil, possivelmente com destino à Argentina e, posteriormente, aos Estados Unidos.
Entretanto, a suposta viagem não havia sido confirmada oficialmente. O governo argentino negou que Flávio tenha ingressado no país.
A suspeita de fuga ganhou força após declarações de Eduardo Bolsonaro (foto), irmão do senador, favoráveis à saída de Flávio do Brasil em caso de derrota eleitoral.
Apesar das especulações, não havia confirmação de prisão decretada contra o ex-candidato. A medida judicial conhecida até então restringia sua saída do território brasileiro.
STF manda investigar possível interferência dos Estados Unidos
Em outra decisão, o ministro Flávio Dino determinou que a Polícia Federal investigue suspeitas de interferência estrangeira nas eleições brasileiras.
A apuração envolve possível financiamento de origem norte-americana à campanha de Flávio Bolsonaro, além de suspeitas de manipulação de algoritmos de redes sociais para favorecer ou prejudicar candidatos.
Entre os alvos da investigação estão supostas negociações envolvendo a Rockbridge Network, organização conservadora dos Estados Unidos ligada a integrantes do Partido Republicano.
Também será investigada a possibilidade de interesses econômicos relacionados a minerais estratégicos brasileiros. Até o momento, as suspeitas não representam comprovação de financiamento irregular ou interferência efetiva.
Trump questiona eleição
Já presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também se manifestou sobre a vitória de Lula. Na segunda-feira (26), Trump afirmou que a eleição brasileira lhe pareceu fraudada, embora não tenha apresentado qualquer evidência de irregularidade.
O presidente norte-americano questionou especialmente a prorrogação da votação em determinados locais, autorizada pelo ministro Cristiano Zanin, do STF.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) esclareceu que a votação prosseguiu apenas nos locais onde ainda não havia sido encerrada às 17h, enquanto a totalização e a divulgação dos resultados foram retomadas após as 19h.
O advogado norte-americano Martin De Luca, representante da Trump Media e da plataforma Rumble, também questionou a decisão de Zanin e defendeu uma investigação independente sobre o processo eleitoral.
“A maior virada na história da humanidade... ou uma fraude facilitada por uma intervenção sem precedentes de um juiz de uma corte que não tinha competência jurisdicional sobre o caso e que, inclusive, já foi advogado da campanha de Lula [em 2022]”, disse De Luca.
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