Médica que teve carteira devolvida por morador de rua agradeceu com flores

Jorge Celestino, morador de rua, encontrou carteira de médica e se preocupou em devolver à dona
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A médica Júlia Menezes Cruz, de 27 anos, passou da aflição ao alívio em poucas horas, no último fim de semana. Ela perdeu a carteira numa rua de Botafogo, na Zona Sul do Rio, no sábado, e logo começou a calcular o dinheiro e o tempo que gastaria para tirar a segunda via de todos os documentos. Entre eles, a habilitação e a carteira do Conselho Regional de Medicina (Cremerj).

Para sua surpresa, nada disso foi necessário. Encontrada por um morador de rua, a carteira foi entregue na casa da médica, em Copacabana, no domingo.

"Uma moça que costuma ajudar moradores de rua na região entregou a carteira aqui em casa. O morador de rua perguntou se ela poderia entregar a carteira à dona e mandou pedir desculpas por ter usado o dinheiro para comer. A moça entrou em contato com o Cremerj e conseguiu me achar", conta Júlia.

Em agradecimento, a médica mandou entregar um buquê de flores a Marinalva, a boa alma que intermediou a situação. Ela chegou a perguntar sobre a localização do morador de rua, mas não conseguiu encontrá-lo.

Após entregar as flores, Julia não teve mais contato com Marinalva.

Para a médica, o ato de boa-fé foi um suspiro de alívio em meio a tantas notícias sobre violência e falta de segurança.

O jornal Extra localizou o morador de rua que encontrou a carteira da médica. Chama-se Jorge Barros Celestino, tem 53 anos e mora há cerca de 30 anos na rua. Questionado sobre o que o levou a se preocupar em devolver a carteira à dona, Jorge respondeu lucidamente.

"Fiquei preocupado com o trabalho que ela ia ter para tirar todos os documentos. Eu deixo meus documentos bem guardados, para não correr esse risco"

A carteira de Júlia não foi a primeira que Jorge encontrou. Por duas ou três vezes ele já foi à delegacia da região entregar documentos. Ao falar do caso da médica, Jorge garante que usou o dinheiro para almoçar.

"Tenho vergonha de pedir comida. Me sinto abaixo de todos" justifica.

 











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