O assunto é delicado, mas não deve ser ignorado. Secretaria da Saúde aposta em comunicação responsável, histórias de superação e incentivo à busca por ajuda. Entenda por quê.
Falar sobre prevenção ao suicídio exige cuidado. O silêncio não é o caminho, mas a forma como o assunto é abordado pode fazer diferença, principalmente para pessoas em situação de vulnerabilidade emocional.
É justamente essa preocupação que levou a Secretaria Municipal da Saúde de Marília a adotar uma abordagem diferente neste ano. Em vez de concentrar a campanha apenas no tradicional “Setembro Amarelo”, mês que chama atenção para o tema em razão do Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, celebrado em 10 de setembro, o município vai desenvolver durante todo o período ações sob o conceito de “Mês de Valorização da Vida”.
A proposta não é deixar de discutir o tema, mas ampliar o olhar para a prevenção, o acolhimento, a saúde mental, a esperança e, principalmente, a importância de procurar ajuda.

Nesta semana, a secretária municipal da Saúde, Paloma Libanio, reuniu jornalistas para explicar a estratégia. Também participaram a enfermeira responsável pelo Núcleo de Saúde Mental, Fabiana Regina da Rosa Santos, e a enfermeira responsável pela Atenção Especializada, Juliana Carvalho Bortoletto Gomes.
A Secretária Paloma Libânio enfatizou:
“Primeiramente, queremos agradecer a presença de todos e pedir o apoio de vocês na divulgação das nossas ações que, durante todo este mês, estarão comprometidas com a prevenção e a valorização da vida. Sabemos que a ajuda dos profissionais da imprensa é imprescindível para promover uma comunicação ética e responsável junto à população, desmistificando as abordagens negativas sobre o tema”.
Por que é preciso cuidado ao falar sobre suicídio?
Uma das preocupações está relacionada ao chamado efeito Werther, expressão utilizada para descrever situações em que determinadas formas de exposição pública ou midiática de casos de suicídio podem contribuir para comportamentos de imitação entre pessoas vulneráveis.
Por isso, especialistas defendem que o assunto seja tratado de maneira responsável, sem sensacionalismo e com informações que valorizem a prevenção e indiquem caminhos para buscar ajuda.
“As evidências científicas demonstram, principalmente com o efeito Werther, que há um aumento de comportamentos de autoextermínio após determinadas formas de exposição pública ou midiática sobre o tema. O risco está principalmente relacionado à maneira como o assunto é comunicado para a população em geral”, explicou Fabiana Rosa.
Segundo ela, a orientação não significa esconder o problema:
“A nossa recomendação técnica não consiste em silenciar sobre o tema ou impedir a sua divulgação, mas em promover uma cobertura mais criteriosa, humanizada e respeitosa”.
Efeito Papageno: quando a comunicação ajuda
Se uma abordagem inadequada pode representar risco, a comunicação responsável também pode exercer justamente o efeito contrário.
É o chamado efeito Papageno, associado à divulgação de histórias de superação, enfrentamento de crises e busca por tratamento. Esse tipo de conteúdo pode estimular pessoas que enfrentam momentos difíceis a perceber que existem alternativas e ajuda disponível.
“Narrativas amplamente divulgadas pela imprensa sobre esperança, recuperação e enfrentamento de crises podem exercer efeitos protetivos, especialmente nas pessoas mais vulneráveis ou que estão em situação de risco”, destacou Fabiana, durante a coletiva.
Segundo a profissional, conteúdos jornalísticos que apresentam experiências de superação e incentivam a procura por tratamento têm apresentado resultados positivos.
Ocorrências apresentam queda em Marília
De acordo com a Secretaria Municipal da Saúde, Marília vem registrando redução no número de ocorrências, resultado que também é associado à ampliação dos serviços de atendimento e às ações de conscientização.
Os números atualizados ainda estão sendo consolidados e deverão ser divulgados posteriormente pela pasta.
Onde procurar ajuda em Marília
A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do município possui diferentes portas de entrada para quem precisa de atendimento. A estrutura inclui as mais de 60 UBSs e USFs, Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), serviços de urgência e emergência, SAMU e atendimento hospitalar.
Marília também conta com o Comitê Municipal de Valorização à Vida (CMVV), criado em 2024 e formado por profissionais de diferentes áreas e representantes da sociedade.
Outra possibilidade é o Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, durante 24 horas por dia.

Buscar ajuda é uma das principais formas de enfrentar uma crise. Familiares e amigos também devem estar atentos a mudanças de comportamento e procurar orientação profissional diante de sinais de sofrimento emocional.
Envie-nos sugestões de matérias: (14) 99688-7288
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