Alimentos, ricos em açúcar, aliviam o estresse, mas podem favorecer doenças mentais como depressão e ansiedade
A relação entre doenças mentais e alimentação fica cada vez mais clara com o passar do tempo, mostrada por evidências clínicas e estudos científicos. E isso vale para ambos os sentidos: tanto a comida como válvula de escape para lidar com a doença (ansiedade, por exemplo), quanto favorecer doenças psiquiátricas, como depressão e ansiedade.
O médico psiquiatra e nutrólogo, Frederico Porto, explica ser muito frequente que, durante picos de estresse as pessoas tendam a descontar na comida, geralmente ingerindo alimentos ricos em açúcar.
Isso ocorre, segundo ele, por um mecanismo bioquímico natural. O médico psiquiatra explica que, sob estresse, o corpo produz adrenalina, hormônio que funciona como um mecanismo de defesa para que a pessoa fuja de perigos.
Quando a pessoa termina de resolver um relatório ou de escrever um e-mail que a deixou tensa, continua o médico psiquiatra, ainda há muita glicose disponível em seu sangue.
O corpo então reage secretando insulina, hormônio responsável por controlar a glicose no organismo.
O problema é que ao fazer isso, em um intervalo curto de tempo, a fome aparece, pois o corpo precisa de energia e aí dá vontade de comer um doce.
O que fazer?
Para quebrar essa associação entre estresse e comida, Porto recomenda que as pessoas adquiram o hábito de ingerir alimentos com índice glicêmico maior, que são aqueles absorvidos mais lentamente pelo organismo, mantendo os níveis de açúcar no sangue em um nível ideal.
Entre alimentos desse tipo estão: laticínios, leguminosas, vegetais, oleaginosas e alguns cereais integrais, como aveia, arroz, milho e quinoa.
Doenças mentais
“A mente e o corpo estão interligados, então uma alimentação de baixa qualidade tende a favorecer o desenvolvimento de doenças mentais”, afirma o médico psiquiatra.
Isto ocorre, conforme ele, porque alimentos industrializados, ultraprocessados, refinados, rico em carboidratos e pobre em vitaminas e minerais, quando ingeridos em excesso, causam no indivíduo um estado pró-inflamatório.
Esta inflamação, subclínica e sutil, afeta todo corpo - acarretando aumento de peso e resistência à insulina, que vai levar à diabetes – inclusive o cérebro, podendo acarretar doenças mentais.
No que diz respeito à ansiedade, uma má alimentação pode ser um dos fatores para acarretar esta doença psiquiátrica por tornar o corpo menos resiliente devido à inflamação.
Para buscar mitigar o desenvolvimento de doenças mentais, o nutrólogo recomenda evitar o consumo de alimentos industrializados e refinados, com carboidratos de rápidas absorção, como pães, massas, sucos e doces, e também priorizar a ingestão a chamada “comida de verdade”, composta por alimentos naturais.
Peixes e linhaça, por exemplo, destaca Porto, são abundantes em ômega 3, a chamada gordura boa, que além de ser anti-inflamatório, torna a membrana do neurônio mais fluida, facilitando a troca de neurotransmissores como a serotonina, substância responsável pela regulação do humor, sono, apetite, ritmo cardíaco, temperatura corporal, sensibilidade e funções cognitivas. A baixa concentração de serotonina no organismo pode causar, além de mau humor e dificuldade para dormir, problemas como ansiedade ou mesmo depressão.
Já alimentos como legumes e verduras, principalmente folhas verdes, como a couve, são ricos em vitaminas B2, B6, B12, zinco e ácido fólico, na sua forma ativada, chamada metilfolato.
Conforme o nutrólogo, estes micronutrientes são muito importantes para que o corpo faça a metilação, reação química responsável pela produção de dois neurotransmissores muito importantes ao cérebro: a serotonina e a dopamina. Esta última responsável por levar informações a várias partes do corpo, provocando sensação de prazer, que leva a motivação.
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