Deputados federais que fizerem mau uso de sua cota parlamentar – reembolsos sobre gastos com refeições, combustíveis, passagens e outros itens aos quais eles têm direito durante o mandato – acabam de ganhar um novo inimigo. Na verdade, trata-se de uma inimiga: Rosie, um software capaz de identificar quando a verba pública está sendo usada de forma suspeita.
O programa, cujo nome é uma homenagem ao robô da família Jetson, foi criado por oito jovens espalhados pelo mundo. Com financiamento coletivo, uma força-tarefa realizada pelo grupo foi capaz de realizar 629 denúncias contra mais de 200 deputados. No total, o software contestou o reembolso de R$ 378.844, através da análise de mais de 2 milhões de notas fiscais apresentadas pelos parlamentares desde 2011. Tal empenho ganhou até um nome: Operação Serenata de Amor.
Mas, mesmo que a análise seja feita em primeiro lugar por Rosie, nenhum caso é divulgado antes de ser verificado por um humano. Além disso, o grupo também aguarda respostas do órgão antes de tornar os casos públicos. A primeira fase do projeto buscou identificar os gastos suspeitos com refeições, porém o software poderá aprender a identificar desvios do padrão em outras áreas, como recibos de táxis, por exemplo.
Uma análise realizada pelo grupo em novembro do ano passado levou os jovens a apresentar denúncias de 40 anomalias à Câmara dos Deputados. Destas, nove foram reconhecidas como mau uso da verba pública. Com o tempo, espera-se que a atuação do software possa coibir novas situações semelhantes, fazendo com que os parlamentares saibam que seus reembolsos estão sendo monitorados – e, dessa forma, tenham mais pudor na hora de usar o benefício.
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