Uma jovem, de 21 anos, de Mogi das Cruzes, foi libertada depois de ter sido mantida em cárcere privado pelo próprio pai por ao menos dois anos.. A moça afirmou que estava trancada no interior da casa sem ter contato com ninguém. Ela disse que passou fome e foi maltratada e que até cigarros eram apagados na sua pele. A jovem contou ainda que está com o pai desde que a mãe faleceu em 2006 e que desde os 12 anos não frequenta a escola.
O pai, um segurança de 46 anos, foi preso por sequestro e cárcere privado. Ele confessou que mantinha a filha trancada no interior da residência para evitar que ela mantivesse relação sexual com homens desconhecidos e disse que precisava trabalhar.
Os policiais foram até o endereço e encontraram a vítima trancada no interior da casa sem iluminação e em condições impróprias na tarde de quinta-feira. Segundo a polícia, todas as portas estavam trancadas. A vítima estava na delegacia durante a manhã desta sexta-feira (12), porque não tinha para onde ir. Ainda em choque e, um pouco confusa, ela disse que seus pais eram separados e que, após o falecimento da sua mãe, uma tia teria lhe entregado ao pai.
O pai costumava apagar bitucas de cigarro em seu rosto. Além das manchas escuras na pele, sua orelha esquerda também estava deformada por causa de uma facada. Uma das testemunhas, uma mulher de 25 anos, explicou que a mãe dela era companheira do segurança e, por cinco meses, morou na mesma casa que ele. A mulher disse que viu diversas vezes a vítima ser algemada e mal tratada e que o pai a mantinha trancada por meses.
Ela disse ainda que, em outras oportunidades houve denúncias, mas ele não deixava ninguém entrar na casa. A testemunha contou que o indiciado sempre foi muito agressivo e ameaçava as pessoas caso a polícia chegasse ao local. A jovem também relatou que ele deixava a vítima sem estudos e alimentos básicos para sua sobrevivência.
O caso foi registrado como sequestro e cárcere privado. O segurança foi preso e encaminhado para a cadeia de Mogi das Cruzes. A Secretaria Municipal de Assistência Social informou que por meio do Centro de Referência Especializado de Assistência Social, tomará todas as medidas de proteção à vítima.
Das poucas vezes que falou um a frase um pouco mais longa, a jovem acabou mostrando seus dentes com caries com manchas pretas logo na frente, talvez pela falta de cuidados nos últimos anos. Ainda assim, ela se disse feliz por estar livre e já tem planos para o futuro: “quero voltar a estudar e ser cantora”, finaliza.
O telefone para denunciar casos parecidos à Polícia Militar é o 190 e o Disque Denúncia é o 181.
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