O número de interrupções no fornecimento de energia elétrica provocadas por acidentes com linhas de pipa teve uma redução de 50% em Marília, entre janeiro e maio deste ano, se comparado com o mesmo período do ano passado, informou o G-1. De acordo com a CPFL Paulista, empresa responsável pela concessão na região, n este ano foram registradas 44 ocorrências contra 67 casos no ano passado.
Mesmo assim, a situação é preocupante porque as quedas de energia ocorrem quando as pipas normalmente estão com cerol e linha chilena. Além desses danos à rede de distribuição (e transtornos aos usuários), esse tipo de material também coloca em risco a vida de pessoas. Foi o que aconteceu recentemente com a morte de um motociclista em Garça. Só que desta vez o caso teve um desfecho diferente: câmeras de segurança flagraram o responsável pela linha que chegou a ficar preso.
Já em Bauru, a situação é ainda mais preocupante: entre janeiro e maio deste ano, foram registradas 109 ocorrências, contra 53 no mesmo período de 2025, ou seja, mais que dobraram (aumento de 105,66%). A empresa distribuidora informou que, em toda a área de concessão em São Paulo, as interrupções causadas por pipas aumentaram 6,5% no período, passando de 1.746 para 1.859 casos.
Férias: maior preocupação
De acordo com o consultor de relacionamento da distribuidora em Bauru, Carlos Eduardo Camargo, o período de férias representa um aumento desse tipo de ocorrência, já que mais crianças e adolescentes costumam brincar com pipas.
A empresa alerta que o contato de pipas com a rede elétrica pode provocar curtos-circuitos, desligamentos em larga escala e oferecer risco de choque elétrico. Além disso, linhas com cerol e linha chilena representam perigo para pedestres, ciclistas e motociclistas.
Segundo o consultor, quando a linha encosta na rede elétrica, pode provocar a queima do fusível de proteção e interromper o fornecimento de energia. Dependendo da situação, um bairro inteiro pode ficar sem luz, além de haver casos em que apenas um imóvel é afetado.
Confira algumas dicas:
- Nunca solte pipa perto da rede elétrica;
- Se a pipa enroscar nos fios, não tente resgatar;
- Nunca utilize cerol ou linha chilena. Além de perigosos, podem cortar fios de energia;
- Prefira parques, campos e locais abertos, longe da fiação elétrica;
- Em caso de cabos rompidos, mantenha distância e acione a distribuidora.
Penalidades de quem solta pipa com cerol ou linha chilena
Quem solta pipa com cerol ou linha chilena no Estado de São Paulo está sujeito a multas pesadas, apreensão de material e prisão. As punições variam entre a esfera administrativa (financeira) e a criminal, dependendo das consequências do ato.
Veja as punições criminais:
- Crime de perigo fato: Enquadrado no Artigo 132 do Código Penal por "expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente". A pena é de três meses a um ano de detenção.
- Lesão corporal: Se a linha atingir um motociclista, ciclista ou pedestre causando ferimentos, o usuário responde por lesão corporal, com penas de prisão que aumentam conforme a gravidade das sequelas.
- Homicídio (morte): Caso o acidente seja fatal, o responsável pode responder por homicídio culposo (sem intenção de matar) ou homicídio doloso com dolo eventual (quando a pessoa assume conscientemente o risco de matar ao usar o material cortante).
Como denunciar?
Para denunciar o uso, fabricação ou venda de cerol e linha chilena de forma rápida, segura e anônima, você pode utilizar os seguintes canais:
- Disque Denúncia (181): Canal totalmente sigiloso para denunciar locais de venda ou fabricação dessas linhas. Você não precisa se identificar.
- Polícia Militar (190): Use este número se flagrar pessoas soltando pipa com linha cortante no exato momento, especialmente perto de avenidas, redes elétricas ou ciclovias.
Envie-nos sugestões de matérias: (14) 99688-7288
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