Durante anos, a pesquisadora Neuza Frazzati trabalhou em silêncio nos laboratórios do Instituto Butantan para enfrentar um velho conhecido do Brasil: a dengue. O resultado desse esforço chegou à população nas últimas semanas, com o início da aplicação da primeira vacina 100% brasileira e de dose única contra a doença.
Desde os anos 2000, mais de 18 mil pessoas morreram por dengue no país e outras 25 milhões já tiveram a doença – o que pressiona o sistema de saúde. A dengue é considerada uma doença negligenciada.
Como afeta países tropicais e em desenvolvimento, durante décadas houve pouca pesquisa para frear o avanço da doença. Mas, agora, o Brasil tem uma solução nacional: a Butantan-DV é a única vacina contra a dengue de dose única no mundo.
À frente do desenvolvimento está Neuza, pesquisadora que entrou no Butantan na década de 1980 e construiu a carreira desenvolvendo vacinas. Para ela, o projeto da dengue é mais do que um marco científico, mas uma forma de amenizar o sofrimento e evitar mortes no país.
"Todo mundo vem aqui nessa vida com alguma missão que a gente precisa descobrir qual é. Acho que encontrei a minha, deixar uma vacina de dengue que pode amenizar o sofrimento das pessoas." A vacina demonstrou eficácia de cerca de 75% contra a doença e superior a 90% contra formas graves e hospitalizações.

O imunizante já está nos postos de saúde, mas, por enquanto, apenas para um grupo prioritário, que envolve profissionais da saúde. Até o segundo semestre, deve chegar às unidades pelo país para a população em geral, segundo o Ministério da Saúde.
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