Um caso que chama atenção para os impactos do vício em jogos eletrônicos e apostas online foi registrado em Marília. Uma empregada doméstica, de 56 anos, procurou a polícia para denunciar o próprio filho, de 32 anos, após anos de conflitos familiares e prejuízos financeiros.
Segundo o relato da mulher, o filho enfrenta há cerca de 10 anos um comportamento compulsivo relacionado a jogos eletrônicos e apostas online, situação que tem causado constantes transtornos dentro de casa, localizada no bairro Parque das Nações, na zona norte da cidade.
Ela afirma que, ao longo desse período, o homem já realizou compras indevidas em nome dela e do pai, além de contrair dívidas com terceiros (incluindo agiotas) o que chegou a gerar ameaças à família.
Mais prejuízo
A “gota d’água”, segundo a vítima, ocorreu em março deste ano. Na ocasião, o filho teria pegado seu celular sob o pretexto de realizar um recadastramento. Com o aparelho em mãos, ele utilizou o reconhecimento facial da mãe sem consentimento e acessou sua conta bancária.
Ainda conforme o boletim de ocorrência, o homem realizou diversas transações financeiras, incluindo transferências via PIX para contas próprias e saques, gerando um prejuízo estimado em cerca de R$ 6 mil.
Diante da repetição dos episódios e do impacto financeiro, a mulher decidiu formalizar a denúncia. O caso deverá ser investigado pelas autoridades.
Quando o jogo vira doença
O comportamento descrito no caso acima pode estar relacionado ao chamado transtorno do jogo, também conhecido como vício em jogos eletrônicos ou apostas — uma condição reconhecida pela medicina e que pode trazer sérias consequências pessoais, financeiras e familiares.
Esse tipo de dependência envolve perda de controle sobre o tempo e o dinheiro gastos, além da continuidade do comportamento mesmo diante de prejuízos evidentes.
Como tratar este vício
Especialistas apontam que o tratamento é possível e envolve uma combinação de estratégias. Confira algumas orientações:
- Psicoterapia (TCC) - A Terapia Cognitivo-Comportamental ajuda a identificar gatilhos emocionais, controlar impulsos e modificar padrões de comportamento compulsivo.
- Limitação do uso de telas - Estabelecer horários rígidos ou até a interrupção total do acesso, ao menos inicialmente, pode ajudar a reduzir a dependência.
- Mudança de hábitos - A substituição por atividades saudáveis — como esportes, leitura, música ou lazer ao ar livre — é essencial para reequilibrar a rotina.
- Acompanhamento psiquiátrico - Em casos mais graves, pode ser necessário tratar condições associadas, como ansiedade e depressão, com apoio médico e, eventualmente, medicação.
- Grupos de apoio - Participar de grupos como Jogadores Anônimos pode ajudar na recuperação por meio da troca de experiências e suporte emocional.
Atenção às famílias
O apoio familiar é fundamental tanto na identificação quanto na recuperação. Em crianças e adolescentes, é importante estabelecer regras claras para o uso da tecnologia, incentivar atividades fora do ambiente digital e manter diálogo constante.
O tratamento busca, sobretudo, o equilíbrio — permitindo que a tecnologia faça parte da vida de forma saudável, sem excessos ou prejuízos.
Casos como o registrado em Marília reforçam a importância de encarar o problema com seriedade e buscar ajuda especializada o quanto antes.
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