Gratidão. Foi esse o sentimento que motivou uma jovem, a procurar por dois bombeiros que a salvaram. Ela teve 75% do corpo queimado por óleo de cozinha e foi socorrida pela dupla, que a reencontrou após 18 anos.
O acidente que quase matou Isabela Cristina, 21 anos, na época com pouco mais de 2 anos, ocorreu na tarde 4 de novembro de 1998, na cidade de Santos. A mãe dela, era proprietária de um carrinho de pastel, que ficava na calçada em frente ao prédio onde elas moravam com a família.
"Eu saí de casa e fui pedir um pastel para a minha mãe. Era comum fazer isso. Ela estava trocando o óleo e eu me enfiei embaixo do recipiente. De repente, o compartimento [onde o óleo era despejado] se rompeu e caiu em mim. Todo mundo ficou desesperado", conta Isabela. A história ela pouco se lembra, se não fosse pelos relatos dos familiares.
"Eu estava abrindo o carrinho aquela hora, e uma moça tinha acabado de me pedir um pastel. Quando eu vi o que tinha acontecido, fiquei desesperada. Peguei minha filha e fui para a rua tentar parar um carro, para alguém nos levar ao hospital", lembra a mãe emocionada.
O primeiro veículo que apareceu foi uma viatura do Corpo de Bombeiros. Os jovens soldados guarda-vidas George de Oliveira Gaiato e Rodrigo Carlos Francisco estavam do outro lado da avenida, falando com um colega na corporação em um telefone público. Os dois viram o que tinha acontecido e foram socorrer a criança.
"Pegamos a menina e fomos para dentro do apartamento deles, entramos no banheiro e deixamos ela embaixo do chuveiro", conta Gaiato, que atualmente é sargento. Francisco, que hoje é sargento reformado, vasculhava armários no imóvel. "Procurava um lençol para colocar nela. Não achei e peguei o da cama mesmo".
Foram 15 minutos de primeiros socorros, cujo protocolo foi seguido à risca para conter a gravidade das queimaduras de terceiro grau. Em seguida, eles decidiram levá-la ao hospital.
Era um carro administrativo, identificado, mas sem sirene ou luminosos. "Paramos uma viatura da polícia no trajeto e pedimos para que eles abrissem caminho para a gente. Foi uma escolta que nos fez chegar mais rápido. Ao chegarmos na emergência do hospital, ouvimos dos médicos que nosso pronto atendimento tinha feito diferença", lembra Gaiato.
Isabela ficou quatro meses internada na ala de queimados da Santa Casa de Santos. Ao voltar para casa, precisou utilizar uma malha especial por quase dois anos. As cicatrizes ficaram no corpo, mas não a impediram de continuar.
"O tempo passou, mas nós sempre quisemos agradecê-los por tudo", disse Soraya. Elas, hoje, moram em Campo Grande (MS) e, de passagem pelo litoral paulista, compartilharam o caso em uma comunidade colaborativa no Facebook.
Em menos de 24 horas, os dois guarda-vidas foram localizados. O reencontro ocorreu na casa de um familiar. "Nós saímos daquele hospital com muito receio. Não procuramos saber o que aconteceu depois, com medo de algo ruim. Era melhor não saber. Hoje, após 18 anos, estou aliviado e muito feliz", desabafou Gaiato.
Rodrigo, que está aposentado há seis anos, também se surpreendeu com toda a repercussão. "Foi o caso mais marcante da nossa trajetória, sem dúvida. A gratidão dela é a nossa gratidão. Ela está bem e possibilitou, até mesmo, o meu reencontro com o Gaiato". Os colegas não se viam desde a aposentadoria.

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