Levantamentos da reta final apontavam Lula numericamente à frente; urnas inverteram a ordem e colocaram o candidato do PL na liderança
As pesquisas eleitorais já mostravam uma disputa apertada pela Presidência da República, mas as urnas trouxeram uma surpresa adicional neste domingo (4): Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e entrou na segunda etapa da eleição na primeira colocação. Acompanhe a apuração clicando AQUI.
Com cerca de 99% das seções apuradas, Flávio aparecia com 47,2% dos votos válidos, aproximadamente 55,7 milhões de votos, enquanto Lula registrava 44,9%, cerca de 53 milhões. Os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro.
O resultado chama a atenção porque inverteu a ordem apresentada pelas principais pesquisas divulgadas na reta final da campanha. Elas já indicavam uma eleição muito equilibrada, mas ainda colocavam Lula numericamente à frente.
A questão, portanto, não é que os levantamentos mostrassem uma eleição tranquila para o atual presidente. Muito pelo contrário. A diferença vinha diminuindo e os dois chegaram à véspera em situação de empate técnico em alguns levantamentos.
O que as urnas fizeram foi levar essa disputa apertada para o outro lado: Flávio terminou à frente.
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O que mostravam as pesquisas?
No último levantamento do Datafolha, divulgado na véspera da eleição, Lula aparecia com 45% dos votos válidos, contra 42% de Flávio Bolsonaro. Os dois estavam tecnicamente empatados considerando a margem de erro.
Dois dias antes, porém, a distância era maior: Lula tinha 45% e Flávio, 40%. Ou seja, a própria sequência das pesquisas já mostrava crescimento do candidato do PL nos últimos dias da campanha.
Os levantamentos regionais também revelavam diferenças importantes. Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, Datafolha apontava 41% para Flávio e 40% para Lula.
No Rio de Janeiro, Flávio aparecia com vantagem mais ampla, de 48% a 40%. Já em Minas Gerais, Lula liderava por 45% a 38%.
Havia, portanto, sinais claros de uma eleição extremamente disputada e de um país novamente dividido eleitoralmente.
Pesquisa errou?
Não necessariamente — e essa é uma diferença importante. Pesquisa eleitoral é uma fotografia do momento em que as entrevistas são realizadas, dentro de uma margem de erro. Ela não é uma previsão do resultado da eleição.
Além disso, havia um contingente relevante de eleitores que ainda admitia mudar de candidato nos últimos dias. Na pesquisa Datafolha divulgada na véspera, por exemplo, 13% dos entrevistados afirmavam que ainda poderiam mudar o voto. Na pesquisa anterior, divulgada dois dias antes, eram 17%.
Em uma disputa apertada, a movimentação de uma parcela desse eleitorado pode produzir diferenças importantes no resultado final.
Há ainda fatores que só poderão ser avaliados com maior precisão quando estiverem disponíveis os dados completos da votação e pesquisas realizadas depois da eleição.
Onde Flávio cresceu?
Uma das respostas deverá aparecer no mapa da votação. Antes da eleição, as pesquisas já indicavam desempenho mais forte de Flávio Bolsonaro em estados importantes do Sul e Sudeste, enquanto Lula mantinha vantagem em outros segmentos e regiões.
Também será necessário observar abstenção, transferência dos votos dos demais candidatos, comportamento por faixa de renda, idade e religião e, principalmente, a distribuição geográfica dos votos.
Esses dados permitirão compreender se houve efetivamente uma movimentação expressiva de última hora ou se parte da diferença já estava presente no eleitorado, mas não foi captada integralmente pelos levantamentos.
Segundo turno começa praticamente agora
Se o primeiro turno terminou com diferença pequena entre os dois primeiros colocados, a disputa recomeça em um cenário completamente novo.
Lula e Flávio Bolsonaro terão três semanas para tentar conquistar os eleitores que escolheram outros candidatos, além daqueles que votaram em branco, anularam ou não compareceram às urnas. Também começa agora uma nova rodada de alianças políticas, apoios partidários, propaganda eleitoral e pesquisas.
O que as urnas deste domingo já demonstraram é que o segundo turno começa com uma disputa apertada — e com uma ordem diferente daquela mostrada numericamente pelas pesquisas na véspera da eleição.
ENTENDA RÁPIDO
O que aconteceu?
Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente de Lula, contrariando a ordem numérica das pesquisas da reta final.
As pesquisas mostravam grande vantagem de Lula?
Não. A diferença vinha diminuindo e o último Datafolha mostrava empate técnico: 45% para Lula e 42% para Flávio.
Então as pesquisas “erraram”?
Não é possível concluir isso apenas comparando percentuais. Pesquisas têm margem de erro, retratam o momento das entrevistas e ainda havia eleitores que admitiam mudar o voto.
O que falta saber?
A distribuição completa dos votos por estados e municípios, a abstenção e estudos posteriores ajudarão a explicar onde ocorreu a diferença entre pesquisas e urnas.
Quando será o segundo turno?
Lula e Flávio Bolsonaro voltam a disputar a Presidência em 25 de outubro.
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