Curta de Rodrigo Grota recupera a história de Guaraci Marques Pinto, personagem que virou lenda no imaginário popular da cidade
Um dos personagens mais conhecidos (e controversos) da história de Marília chega às telas. O curta-metragem “O Assassinato de Pé de Veludo”, escrito e dirigido pelo cineasta mariliense Rodrigo Grota, terá sua primeira exibição ao público neste domingo (13), logo mais às 19h, durante o encerramento do 7º Festival de Cinema de Marília.
Pé de Veludo ficou conhecido por praticar furtos e roubos em residências sem ser percebido, característica que teria dado origem ao apelido Pé de Veludo. Depois de ser morto pela polícia, seu túmulo continua sendo o mais visitado de Marília no Dia de Finados, localizado no Cemitério da Saudade, ao ser considerado uma espécie de "ladrão milagreiro" (veja abaixo).

Filmado em preto e branco e com 19 minutos de duração, o curta mistura elementos documentais e ficcionais para contar a trajetória de Guaraci Marques Pinto (1943-1964), o Pé de Veludo, bandido que ganhou fama em Marília no início dos anos 1960.
A produção foi rodada em Marília e Londrina em setembro de 2024. Felipe Lui interpreta Pé de Veludo, enquanto Erom Cordeiro vive o delegado Dr. Ricardo e Arrigo Barnabé interpreta um radialista. O filme é uma produção da Nosso Quintal em parceria com a Kinopus.

Segundo Rodrigo Grota, a proposta não é apresentar uma versão definitiva sobre o personagem, mas reconstruir sua história a partir de documentos, relatos de pessoas que o conheceram e das próprias lendas surgidas ao longo das décadas:
“O filme não quer ser uma afirmação definitiva sobre quem foi Pé de Veludo. Acho que nunca teremos essa resposta.”
Após a sessão haverá um debate com Rodrigo Grota, o produtor Guilherme Peraro e o ator Felipe Lui. A entrada é gratuita e a classificação indicativa é de 12 anos.
Quem foi Pé de Veludo
Nascido em Marília em 1943, Guaraci Marques Pinto começou a ganhar notoriedade no início da década de 1960. Segundo os registros reunidos para a produção, ele ficou conhecido por praticar furtos e roubos em residências sem ser percebido, característica que teria dado origem ao apelido Pé de Veludo.

Ao lado dos irmãos, tornou-se figura conhecida da polícia e da imprensa, mas sua história ganhou um componente incomum: parte da população passou a enxergá-lo como uma espécie de “Robin Hood” mariliense, alimentada por relatos de que ajudava pessoas pobres com dinheiro e presentes.
Em 1964, o cerco policial contra Pé de Veludo e sua família se intensificou. Guaraci morreu em 9 de dezembro daquele ano, durante um confronto com a polícia, aos 21 anos.
Mas a história não terminou com sua morte. Seu túmulo passou a receber visitantes, preces e pedidos de graças. Com o passar dos anos, Pé de Veludo ganhou para parte da população uma dimensão quase religiosa, transformando-se definitivamente em uma das figuras mais curiosas do imaginário popular de Marília.
O jazigo de Guaraci Marques Pinto é, na verdade, uma pequena capela (foto), construída por uma devota em agradecimento a uma graça alcançada. O local fica constantemente decorado com flores, velas e fotos do jovem, além de carregar várias placas com os dizeres "graça recebida" ou "agradeço por uma graça alcançada".
Serviço:
- "O Assassinato de Pé de Veludo"
- Horário: às 19h.
- Local: Teatro Municipal Waldir Silveira Mello (Avenida Rio Branco, centro - Marília)
- A sessão tem entrada franca (gratuita). Classificação indicativa é de 12 anos.
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