Família encontrada morta em Curitiba é sepultada em Marília. Veja o que a polícia já descobriu sobre a tragédia

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Médica, marido e filho foram enterrados nesta sexta-feira sem velório; polícia trabalha com suspeita de duplo homicídio seguido de suicídio, mas perícias ainda precisam reconstruir o que aconteceu dentro do apartamento

Uma tragédia familiar que chocou Curitiba teve seu último capítulo, até agora, em Marília. Os corpos da médica pediatra Claudia Hitomi Shimada Furuyama, de 57 anos, do marido, Marcos Furuyama, de 58, e do filho do casal, Rafael Furuyama, de 23, foram sepultados na manhã desta sexta-feira (28), no Cemitério da Saudade.

Os três haviam sido encontrados mortos na terça-feira (25), dentro do apartamento onde moravam, no bairro Água Verde, em Curitiba. Todos apresentavam ferimentos provocados por armas brancas.

A ligação com Marília está na família de Claudia. Por decisão dos familiares, não houve velório nem divulgação pelo serviço funerário. O sepultamento foi tratado diretamente com o cemitério. Claudia e Rafael foram enterrados no mesmo túmulo, enquanto Marcos foi sepultado separadamente.

Mas, enquanto a família se despedia em Marília, no Paraná permanecia uma pergunta que mobiliza investigadores:

O que aconteceu dentro daquele apartamento?

Principal hipótese: tragédia teria ocorrido dentro da própria família

A Polícia Civil do Paraná trabalha, neste momento, com a possibilidade de duplo homicídio seguido de suicídio. A hipótese inicial é de que Marcos possa ter atacado a esposa e o filho e, posteriormente, tirado a própria vida. Isso ainda não está comprovado. A polícia aguarda principalmente os resultados dos exames periciais para reconstruir a dinâmica das mortes.

Polícia e peritos foram acionados no local do crime.

Alguns elementos encontrados no apartamento fizeram os investigadores concentrarem as atenções nessa linha. A porta estava trancada e não apresentava sinais de arrombamento.

Nos demais cômodos não foram encontrados sinais aparentes de luta, objetos quebrados ou vestígios de sangue. Duas vítimas estavam em um quarto e a terceira em outro ambiente.

Uma faca e um punhal foram recolhidos. Agora, a perícia deverá analisar as armas, as roupas das vítimas e outros materiais encontrados no imóvel.

Ferimentos podem contar a história

Essa talvez seja a parte mais interessante da investigação. A polícia ainda não consegue afirmar quem atacou quem nem em qual sequência ocorreram as agressões.

Por isso, os exames vão analisar características como direção, angulação, localização e dimensão dos ferimentos. Os peritos também tentarão determinar se algum deles é compatível com lesão provocada pela própria vítima.

A análise de material genético encontrado nas armas poderá ajudar a identificar quem teve contato com cada objeto.

É justamente a combinação desses resultados que poderá responder à principal questão do inquérito: uma pessoa matou as outras duas ou ocorreu uma dinâmica diferente?

Havia outra pessoa no apartamento?

A possibilidade não foi totalmente eliminada. A participação de uma quarta pessoa é considerada remota, mas continua formalmente entre as hipóteses investigadas.

Até agora, moradores não relataram a presença de estranhos no prédio ou movimentações consideradas anormais. Também não há relatos de gritos, discussões ou pedidos de socorro. As imagens das câmeras do condomínio poderão ajudar a esclarecer esse ponto.

Mas, a Polícia Civil do Paraná praticamente descartou a participação de uma quarta pessoa na morte de uma família encontrada dentro de um apartamento no Água Verde, em Curitiba. Além disso, a análise das câmeras de segurança apontou que a última movimentação na unidade onde as vítimas moravam ocorreu por volta das 19h27 de domingo (23).

As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (28) pelo delegado Ivo Viana, da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), durante uma atualização sobre o caso.

Uma mensagem enviada no domingo

Outro detalhe pode ajudar a polícia a montar a cronologia. Claudia estava comprovadamente viva no domingo (23). Uma amiga havia deixado uma encomenda para ela na portaria do edifício. Depois, Claudia enviou uma mensagem agradecendo pela entrega.

A partir daí existe uma lacuna. Os investigadores ainda não estabeleceram precisamente quando as mortes aconteceram. Por isso, imagens do condomínio deverão ser analisadas especialmente para verificar a movimentação ocorrida na segunda-feira (24) e nas horas seguintes.

Apartamento foi a leilão

A investigação ganhou ainda uma nova frente: a situação financeira da família. O apartamento onde os três viviam havia sido levado a leilão judicial. O imóvel foi arrematado por cerca de R$ 650 mil, e uma ordem judicial para desocupação havia sido cumprida recentemente, segundo as informações reunidas sobre o caso.

Esse cenário passou a ser investigado. É importante, entretanto, estabelecer uma divisão clara entre fato e hipótese: a polícia ainda não confirmou que problemas financeiros tenham provocado as mortes.

Os investigadores procuram esclarecer a origem das dívidas, quem tinha conhecimento da situação e se havia relação entre a perda do imóvel e o que aconteceu posteriormente.

Quem eram as três pessoas encontradas no apartamento?

Claudia era médica pediatra e trabalhava havia mais de 20 anos na Unidade Básica de Saúde CSU, em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba. Segundo as informações reunidas, era lembrada por colegas e pacientes pela dedicação à saúde pública. Sua família biológica reside em Marília.

Marcos era engenheiro civil, formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). A situação empresarial e financeira relacionada a ele passou a integrar a apuração policial depois que os investigadores descobriram o processo envolvendo o imóvel da família.

Rafael, de 23 anos, cursava o 8º período de Engenharia Mecatrônica na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), em Curitiba. Amigos, professores e colegas o descreviam como inteligente, estudioso e prestativo. 

A UTFPR emitiu uma nota oficial de pesar lamentando profundamente a perda do estudante e prestando solidariedade à comunidade acadêmica chocada com a tragédia.

O que falta descobrir

Apesar dos elementos reunidos, o caso ainda não está esclarecido. A necropsia, a perícia no apartamento, exames genéticos, análise das duas armas, imagens das câmeras do condomínio e depoimentos de familiares e pessoas próximas deverão ser cruzados pelos investigadores.

A polícia precisa estabelecer quando as mortes aconteceram, em que ordem ocorreram as agressões, quem utilizou cada arma e se realmente não havia uma quarta pessoa envolvida.

Até que essas respostas apareçam, o duplo homicídio seguido de suicídio permanece como hipótese investigativa, e não como conclusão definitiva.

Em Marília, porém, a despedida já aconteceu. Sem velório, sem cerimônia pública e de maneira reservada, os três integrantes da família foram sepultados nesta sexta-feira, a centenas de quilômetros do apartamento onde uma história ainda cheia de perguntas chegou ao fim.





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