Uma ocorrência inicialmente tratada como possível desaparecimento terminou com duas pessoas presas por suspeita de participação em uma tentativa de extorsão contra a própria família de um dos envolvidos, em Marília. A Polícia Civil apura se o plano teria sido montado para conseguir dinheiro destinado à compra de drogas.
O caso começou depois que um homem de 49 anos, usuário de crack e que havia deixado temporariamente uma clínica de recuperação para um período de integração familiar, saiu com o carro da mãe e deixou de manter contato com os parentes.
Durante as buscas, a família começou a receber ligações exigindo dinheiro. Segundo o boletim de ocorrência, um dos interlocutores afirmou que o carro teria sido “penhorado” em um ponto de venda de drogas e inicialmente pediu R$ 200 para devolvê-lo. O valor posteriormente caiu para R$ 100 e depois R$ 50.
Mataria e esquartejaria a vítima...
As ameaças ficaram mais graves. Em uma das ligações, o suspeito chegou a dizer que mataria e esquartejaria o homem desaparecido caso o dinheiro não fosse entregue. Desconfiado da história, o pai não fez nenhum pagamento e procurou ganhar tempo enquanto acionava a polícia.
O veículo acabou localizado no Jardim Santa Clara, zona sul de Marília. Durante as diligências, o homem que estava sendo procurado também reapareceu na residência da família.
Polícia suspeita de plano combinado
A investigação então tomou outro rumo. Segundo o registro policial, surgiram indícios de que o próprio homem supostamente desaparecido teria fornecido os telefones de seus familiares aos demais envolvidos, permitindo que fossem feitas as ligações para exigir dinheiro. A suspeita preliminar é de que os recursos seriam usados para aquisição e consumo de drogas.
Uma operadora de telemarketing de 19 anos também foi presa. Conforme a polícia, ela teria cedido voluntariamente seu celular a outro envolvido, sabendo que o aparelho seria utilizado para pedir dinheiro à família.
Os dois foram autuados em flagrante, em tese, por tentativa de extorsão praticada em concurso de pessoas, e a autoridade policial representou pela conversão das prisões em preventivas.
Uma adolescente de 14 anos e outras pessoas também aparecem nas diligências, enquanto um homem apontado pela investigação como responsável direto pelas ligações e ameaças ainda não havia sido localizado.
A Polícia Civil prossegue com a investigação para esclarecer a participação de cada envolvido. Nenhum valor chegou a ser transferido pela família.
Como agir diante desse tipo de ameaças?
Ao receber uma ligação dizendo que um familiar foi sequestrado, está desaparecido ou corre perigo, o medo pode levar a decisões precipitadas. Algumas atitudes ajudam a evitar prejuízos:
- Não faça Pix ou transferência imediatamente. Tente ganhar tempo e não tome decisões sob pressão;
- Procure confirmar onde está o familiar. Ligue diretamente para ele e tente contato com pessoas que possam saber onde se encontra;
- Não forneça informações ao criminoso. Evite dizer nomes, endereços, parentesco, rotina ou outros dados que possam ser utilizados para tornar a história mais convincente;
- Faça perguntas que somente o familiar saberia responder, sem entregar previamente a resposta.
- Desconfie da pressão para pagamento imediato. Ameaças, gritos e exigência de urgência são estratégias utilizadas para provocar medo e impedir que a vítima raciocine;
- Guarde todas as provas. Número utilizado, mensagens, áudios, prints, chave Pix e dados bancários podem ajudar na investigação;
- Acione imediatamente a polícia pelo 190 diante de ameaça ou possível sequestro e registre boletim de ocorrência;
- Não vá sozinho a locais indicados pelos suspeitos e não tente recuperar veículos, objetos ou encontrar os envolvidos por conta própria.
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