ENTENDA | Rapaz perde R$ 1,1 mil após cair no “golpe dos nudes”. Veja como se proteger

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Uma conversa iniciada pelas redes sociais, a troca de fotografias íntimas e, pouco depois, uma ameaça envolvendo uma suposta adolescente e um falso delegado. Foi assim que um rapaz de 23 anos, morador de Ourinhos, perdeu R$ 1,1 mil em um esquema conhecido como “golpe dos nudes”.

O caso foi registrado no Plantão Policial e deverá ser investigado pela Polícia Civil. Segundo o boletim de ocorrência, o jovem foi abordado por uma mulher pelo Facebook. Durante a conversa, ela pediu o número de WhatsApp da vítima e os dois passaram a conversar de forma privada.

O rapaz afirmou à polícia que, em nenhum momento, a mulher disse ser menor de idade. Com o avanço das conversas, houve troca de fotografias íntimas.

O falso delegado entra em cena

Pouco depois, o jovem começou a receber mensagens de outro número. Desta vez, o interlocutor se apresentou como delegado de polícia e afirmou que a mulher com quem ele havia conversado seria uma adolescente.

A partir daí começaram as ameaças. O suposto delegado passou a exigir dinheiro por PIX para, segundo a narrativa apresentada à vítima, “resolver a situação” e evitar consequências legais. Com medo, o rapaz realizou três transferências que somaram R$ 1.100.

Um detalhe mostra até onde pode chegar a pressão psicológica exercida pelos criminosos: os dois primeiros pagamentos foram feitos pela própria vítima. Como seu limite diário havia sido atingido, o terceiro PIX, no valor de R$ 600, foi realizado pela conta bancária de sua esposa. Somente depois o caso chegou à Polícia Civil.

ENTENDA: como funciona o golpe dos nudes

Apesar das variações, o roteiro costuma explorar principalmente dois sentimentos: medo e vergonha.

O criminoso cria ou utiliza um perfil falso nas redes sociais e inicia uma aproximação. Depois de conquistar a confiança da vítima, procura levar a conversa para um aplicativo de mensagens e estimula a troca de conteúdo íntimo.

É nesse momento que ocorre a virada. Surge uma segunda pessoa afirmando, por exemplo, ser familiar da suposta mulher e alegando que ela é menor de idade. Em outras versões, alguém se apresenta como policial, delegado ou advogado.

A vítima passa então a ser ameaçada com prisão, processo criminal, exposição das fotografias ou divulgação do caso para familiares e conhecidos. Para impedir que isso aconteça, os golpistas exigem dinheiro.

Polícia não cobra PIX para “arquivar” investigação

Esse é um dos principais sinais de que se trata de fraude. Nenhum policial ou delegado pode exigir pagamento para impedir uma investigação, retirar uma denúncia ou arquivar um boletim de ocorrência.

Uma abordagem desse tipo deve ser encarada como forte sinal de golpe. A vítima não deve transferir dinheiro nem continuar negociando com quem está fazendo a ameaça.

Como reduzir o risco

Alguns cuidados podem dificultar a ação dos criminosos:

  • Desconfie de perfis desconhecidos que iniciam rapidamente conversas de caráter íntimo.
  • Evite enviar fotografias ou vídeos íntimos, especialmente quando não conhece pessoalmente quem está do outro lado.
  • Não forneça dados bancários, documentos, senhas ou códigos recebidos por SMS.
  • Desconfie quando a pessoa demonstra pressa para levar a conversa para outro aplicativo.
  • Não clique em links enviados por desconhecidos.
  • Verifique fotografias suspeitas por meio de ferramentas de busca reversa, como o Google Lens.
  • Mantenha as configurações de privacidade das redes sociais mais restritas, dificultando o acesso a informações sobre familiares, trabalho e contatos.

Caiu no golpe? Não apague as conversas

Se a extorsão já começou, o primeiro cuidado é não fazer novos pagamentos. Pagar não garante que as ameaças terminarão e pode estimular novas cobranças.

Também é importante não apagar mensagens, fotografias, números telefônicos, comprovantes de PIX ou outros registros. Faça capturas de tela e preserve tudo o que possa ajudar na identificação dos envolvidos.

Se houve transferência bancária, entre em contato imediatamente com o banco, informe que se trata de fraude e solicite as providências disponíveis para tentativa de bloqueio ou recuperação dos valores. Em golpes envolvendo PIX, pode ser cabível a abertura do procedimento bancário específico para análise da fraude.

Depois, registre boletim de ocorrência e entregue à polícia todas as informações disponíveis: números de telefone, perfis utilizados, chaves PIX, nomes apresentados pelos criminosos e comprovantes das transações.

Vergonha ajuda o criminoso

Há ainda um componente importante nesse tipo de crime: o golpista conta com o constrangimento da vítima para manter a extorsão.

Por isso, receber uma ameaça envolvendo fotografias íntimas não deve levar a novos pagamentos na tentativa de “resolver” o problema silenciosamente. Interromper o contato, preservar as provas, comunicar o banco e procurar a polícia são as medidas mais importantes.

No caso registrado em Ourinhos, a pressão psicológica levou o jovem a fazer sucessivos pagamentos e até recorrer à conta da esposa. Agora, caberá à Polícia Civil tentar identificar os responsáveis pela fraude e rastrear o destino do dinheiro. Com informações: Passando a Régua.





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