Engavetamentos em plena hora do rush reacendem discussão sobre trecho que mistura tráfego urbano com caminhões e carretas que cruzam a região.
Uma série de engavetamentos envolvendo pelo menos 16 veículos na manhã desta sexta-feira (dia 28) voltou a chamar a atenção para um problema cada vez mais presente no cotidiano de Marília: o trânsito intenso e perigoso na Rodovia do Contorno, especialmente nos horários de pico.
Segundo informações da Polícia Rodoviária Estadual, carros, caminhonetes e carretas estiveram envolvidos nas ocorrências desta manhã. Uma pessoa ficou ferida e um dos veículos chegou a parar sobre a mureta de concreto que separa as pistas.
Confira imagens do acidente clicando AQUI.
Os acidentes ocorreram pouco antes das 8h, justamente em um dos períodos de maior movimento e em um trecho particularmente carregado do Contorno, entre o Hospital das Clínicas e a região do campus universitário. Além disso, os acidentes também ocorrem no outro trecho: entre o shopping e o próprio campus "completando" o Contorno.
As ocorrências provocaram lentidão e complicaram ainda mais o trânsito no início da manhã. Posteriormente, os veículos foram retirados e o fluxo liberado.
Mais do que um acidente isolado, entretanto, o episódio expõe uma característica que transformou o Contorno em um dos principais pontos de atenção do trânsito mariliense.
Rodovia ou avenida? Na prática, as duas coisas
O Contorno faz parte do trecho urbano da SP-294 (Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros). Quando foi concebida, sua função primordial era permitir a circulação rodoviária. O crescimento de Marília, entretanto, aproximou bairros, universidades, hospitais, empresas e outros empreendimentos da estrada.
Hoje, o motorista que percorre o Contorno divide espaço com dois mundos completamente diferentes. De um lado estão caminhões, carretas, ônibus e veículos que cruzam a região em viagens intermunicipais e interestaduais.

Do outro, milhares de marilienses utilizando a mesma pista para ir ao trabalho, à faculdade, ao hospital, levar filhos à escola ou simplesmente se deslocar de uma região da cidade para outra. É essa combinação que ajuda a explicar por que determinados horários se tornaram especialmente complicados.
Um funil para o tráfego regional
A localização de Marília também pesa nessa equação. A cidade está inserida em um importante entroncamento rodoviário do interior paulista. A SP-294 forma o grande eixo leste-oeste, conectando a região de Bauru à Alta Paulista e seguindo em direção à divisa com Mato Grosso do Sul.
A SP-333 estabelece outra importante ligação regional, passando por Marília e conectando diferentes áreas do estado (entre o norte do Paraná, passando por Assis, seguindo até Ribeirão Preto - sentido Minas Gerais).

E a poucos quilômetros está a BR-153 — Rodovia Transbrasiliana, um dos grandes corredores rodoviários brasileiros, responsável por tráfego entre diferentes regiões do país.
Esse sistema faz com que uma parcela importante do tráfego de passagem se encontre justamente com o movimento urbano de Marília. Nos horários de pico, o resultado é facilmente percebido: filas, mudanças constantes de faixa, entradas e saídas de veículos e pouco espaço para erros.
Trecho entre HC e universidades concentra movimento
O local dos acidentes desta sexta exemplifica bem essa transformação. Nas proximidades estão o complexo do Hospital das Clínicas, universidades, serviços, bairros e acessos utilizados diariamente por milhares de pessoas.
Pouco antes das 8h, além do tráfego rodoviário habitual, cresce significativamente a circulação de trabalhadores, estudantes, pacientes e moradores. Uma redução repentina de velocidade pode provocar sucessivas frenagens.
Os motociclistas estão entre as principais vítimas dos acidentes na rodovia do Contorno.
Isso sem falar no "balé" proporcionado por motociclistas em alta velocidade que normalmente trafegam entre as duas faixas de cada sentido e ao mesmo tempo cortando a frente dos demais veículos.
Quando os veículos trafegam muito próximos uns dos outros, o risco aumenta ainda mais: basta uma parada inesperada para que motoristas que vêm atrás tenham poucos segundos para reagir.
Não há, até o momento, informação de que essa tenha sido a causa específica das ocorrências desta sexta-feira. A dinâmica deverá ser apurada pelas autoridades.
Curvas, acessos e tráfego pesado aumentam a atenção necessária
Existem ainda outros pontos sensíveis ao longo do Contorno. Curvas mais acentuadas exigem atenção especial de caminhões e carretas, principalmente devido ao peso e à distribuição das cargas.
Trecho em que ocorreu o acidente nesta manhã.
Há também diversos acessos que conectam a rodovia diretamente à malha urbana. Em determinados pontos, veículos precisam reduzir a velocidade para entrar ou sair de bairros e estabelecimentos enquanto outros seguem pelo eixo principal da rodovia.
É justamente essa diferença de velocidades e de finalidade entre os usuários da pista que torna o trecho peculiar. Uma carreta cruzando o Estado divide a faixa com um motorista que pode percorrer apenas dois quilômetros para chegar ao trabalho.
Pequenos erros podem terminar em grandes acidentes
A situação exige também mudança de comportamento dos próprios motoristas. Excesso de velocidade, uso do celular, mudanças repentinas de faixa e, principalmente, trafegar sem manter distância segura do veículo da frente ampliam significativamente o risco em uma via congestionada.
Com caminhões e carretas, existe ainda outro agravante: veículos pesados precisam de uma distância muito maior para parar. Por isso, um trânsito aparentemente normal pode se transformar rapidamente em um grande engavetamento.
E a manhã desta sexta-feira mostrou a dimensão que uma sequência de ocorrências pode alcançar. Pelo menos 16 veículos envolvidos.
Com o tráfego intenso de carretas é comum acidentes envolvendo esses veículos no Contorno.
O Contorno mudou junto com Marília
Talvez essa seja a questão central. Marília cresceu. Novos bairros surgiram. O número de veículos aumentou. Hospitais, universidades, empresas e empreendimentos se consolidaram nas proximidades da rodovia.
O Contorno continuou ali. Só que sua função mudou. Além de corredor rodoviário regional, tornou-se parte da rotina urbana de Marília. E nos horários de maior movimento essa dupla função fica ainda mais evidente — e perigosa.
Os acidentes desta sexta-feira terminaram com uma pessoa ferida e transtornos no trânsito. Mas deixam novamente uma discussão que vai muito além das colisões desta manhã:
Aí fica a pergunta feita por muitos usuários desse trecho:
Até quando uma rodovia projetada para receber o tráfego regional conseguirá absorver, ao mesmo tempo, o crescente trânsito urbano de uma cidade do porte de Marília?
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