ENTENDA | Como um menino de apenas 2 anos conseguiu sobreviver sozinho durante 18 horas na mata?

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Encontrado a quase três quilômetros de casa, Isaque enfrentou frio, vegetação fechada, animais silvestres e uma longa noite até ser localizado por uma força-tarefa que mobilizou toda a região

A madrugada deste domingo para segunda-feira ficará marcada na memória dos moradores de Ocauçu e de toda a região de Marília. Depois de aproximadamente 18 horas desaparecido, o pequeno Isaque, de apenas dois anos e meio, foi encontrado com vida após caminhar sozinho por uma extensa área rural.

O que mais chamou a atenção dos próprios bombeiros foi o estado da criança. Apesar de passar toda a noite sozinho em uma plantação de laranjas e áreas de mata, com risco até de ser atacado por animais (existem onças na região) Isaque apresentava apenas pequenas picadas de insetos, alguns arranhões e sinais leves de cansaço.

Para quem acompanhou a operação, uma pergunta surgiu imediatamente:

Como ele conseguiu sobreviver?

A resposta envolve uma combinação impressionante entre comportamento infantil, natureza, trabalho das equipes de resgate e, para muitas pessoas, um verdadeiro milagre.

Como tudo começou...

Segundo a mãe do menino, Raiane Cristina Gervaz, o Isaque brincava de bicicleta por volta das 14h deste domingo na Fazenda Santa Maria (conhecida como "Fazenda da Laranja"), onde a família mora, quando pulou uma cerca e entrou no pomar de laranja. Segundo ela, a criança nunca havia feito isso. "Ele sempre brinca de bicicleta ali, mas nunca tinha pulado a cerca para entrar na plantação", relatou.

Desde então, familiares iniciaram as buscas e acionaram as equipes de emergência. Imagens de uma câmera de segurança registrou o pequeno Isaque correndo até sumir na plantação de laranja.

Câmera de segurança registrou o início da "aventura" do pequeno Isaque. 

A partir daí começava o trabalho de uma grande força-tarefa: funcionários da própria fazenda e de propriedades da região, voluntários, equipes da defesa Civil de municípios da região, do grupo CORS (Comando Operacional de Resgate e Salvamento) de Marília -especializado em buscas de pessoas desaparecidas; e também funcionários da Bracel (uma das maiores produtoras de celulose solúvel e celulose especial do mundo que possui áreas na região).

Até um drone, equipado com câmera térmica, tecnologia capaz de identificar diferenças de temperatura (ajuda na localização de pessoas mesmo durante a noite) foi utilizado pelas equipes, sem sucesso.

Devido as condições da criança (estava apenas com um body azul, uma calça azul e descalço) era uma verdadeira luta contra ao tempo. A cada hora, a temperatura caia ainda mais (risco de hipotermia) e, além das pegadas do pequeno Isaque, as equipes também encontravam rastros recentes de onças, animal comum naquela região.
 

Uma caminhada muito maior do que se imaginava

Durante toda a madrugada, as equipes concentraram as buscas nas proximidades da fazenda onde a criança desapareceu. Somente depois do amanhecer descobriram que Isaque havia caminhado aproximadamente três quilômetros, distância enorme para uma criança de apenas dois anos.

As pegadas encontradas durante a noite já indicavam que ele havia seguido andando por bastante tempo.

Capim pode ter salvado sua vida



Um dos detalhes mais importantes foi revelado pelos próprios bombeiros. 
Isaque passou boa parte da madrugada escondido em uma grande moita de capim-colonião, vegetação bastante alta e fechada comum naquela região.

Especialistas explicam que esse tipo de vegetação funciona como uma espécie de isolamento natural. Ela reduz a ação direta do vento e cria um pequeno microclima que ajuda a conservar parte do calor corporal.

Isso pode ter sido decisivo numa madrugada em que a temperatura ficou próxima dos 10 grausCuriosamente, as equipes chegaram a permanecer cerca de uma hora e meia muito próximas daquele ponto, chamando pelo menino. Acredita-se que ele estivesse dormindo profundamente e, por isso, não respondeu.

O sono também ajudou

Outro fator importante foi justamente o descanso. Depois de horas caminhando, chorando e enfrentando o cansaço, fome e sede, Isaque provavelmente adormeceu.

Durante o sono, o organismo reduz o gasto de energia e consegue conservar melhor o calor do corpo. Em situações extremas, isso pode aumentar significativamente as chances de sobrevivência.

A roupa permaneceu seca

Apesar de estar descalço, o menino usava um body e uma calça. Como ele não caiu em rios ou áreas alagadas, as roupas permaneceram secas.

Esse detalhe faz enorme diferença. Roupas molhadas aceleram a perda de calor e aumentam muito o risco de hipotermia.

O perigo não era apenas o frio

Assustado, o menino ficou o tempo todo em silêncio, após ser salvo.

Outro aspecto que impressionou quem participou da operação foi o ambiente onde Isaque permaneceu durante toda a noite. A região é formada por extensas plantações, trechos de mata e vegetação típica do interior paulista.

Moradores e pessoas que conhecem a área relatam a presença frequente de animais silvestres, como cobras, javalis, capivaras e até felinos de grande porte. Durante as buscas, inclusive, equipes encontraram pegadas atribuídas a onças, espécie cuja ocorrência já foi registrada naquela região.

Apesar disso, Isaque não sofreu qualquer ataque. Segundo especialistas em fauna, animais silvestres normalmente evitam contato com seres humanos e ataques são considerados raros, principalmente quando não há situação de encurralamento.

O momento mais emocionante

Já pela manhã, Isaque ouviu pessoas chamando seu nome. Foi então que saiu da vegetação e caminhou em direção aos voluntários.

O reencontro emocionou bombeiros, policiais, familiares e moradores que acompanharam a operação. Logo depois, a criança foi encaminhada para atendimento médico, inicialmente na unidade de saúde da própria cidade de Ocauçu e posteriormente encaminhado ao Hospital Materno-Infantil, em Marília. Ele passa bem.

De acordo com os Bombeiros, desde que foi localizado por uma das equipes de voluntários, Isaque permaneceu calado, sem dar detalhes sobre sua "aventura perigosa" em meio da mata e como resolveu se abrigar no capim colonhão.

Um verdadeiro milagre

Para quem participou da operação, diversos fatores colaboraram para o final feliz:

  • O menino continuou caminhando, sem se ferir gravemente;
  • Encontrou abrigo natural no capim;
  • Permaneceu com as roupas secas;
  • Conseguiu descansar durante a madrugada;
  • Foi localizado logo nas primeiras horas da manhã.

Mas, para familiares e moradores da região, existe uma explicação que vai além da ciência. Depois de quase 18 horas de angústia, muitos definem o reencontro do pequeno Isaque com apenas uma palavra:

Milagre!

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