Ter a qualificação técnica para ocupar o cargo há muito deixou de ser garantia de uma boa colocação no mercado. A formação é importante e é um pré-requisito básico, mas as empresas buscam também habilidades pessoais. Saber resolver problemas complexos, ter pensamento crítico e atitude empreendedora são
competências muito procuradas pelos empregadores, mas estão em falta. Não à toa, estudo da Fundação Dom Cabral aponta que 49% das empresas brasileiras possuem vagas não preenchidas por falta de profissionais aptos.
Já outro estudo, da consultoria de educação corporativa AfferoLab, se propõe a trazer dados mais aprofundados sobre os fatores que dificultam as contratações no País. A pesquisa, aplicada entre os meses de abril e maio deste ano, com 312 profissionais de diferentes organizações brasileiras com até cinco mil colaboradores, foi realizada em duas frentes: encontrar as habilidades mais relevantes no cenário brasileiro e aquelas mais raras.
“O levantamento mostra que as competências mais procuradas em um profissional pelas empresas são as que mais costumam ser difíceis de encontrar. Portanto, o profissional brasileiro precisa buscar se atualizar e se adequar ao ambiente multigeracional e multicultural de hoje, assim como as empresas precisam investir em novos modelos de Treinamento e Desenvolvimento (T&D) que acompanhem as necessidades do mercado atual”, explica o CEO da Affero Lab, Alexandre Santille.
Uma necessidade que é também global é a resolução de problemas complexos, competência que encabeça a lista brasileira de carências. Também é considerada a característica mais importante para os profissionais de hoje e daqui a cinco anos, segundo o World Economic Forum. “Provavelmente isso acontece por causa do cenário atual de instabilidades, em que empresas e profissionais estão buscando maneiras de adaptar-se e se reinventar”.
Habilidades como ‘pensamento crítico’ e ‘atitude empreendedora’ são consideradas características importantes para a tomada de decisões ágeis e, ao mesmo tempo, difíceis. “Em um ambiente complexo, em que a tecnologia só avança e transforma as relações de mercado, está mais difícil encontrar tais habilidades, pois o clima de incertezas leva à cautela na hora de agir”, diz Santille.
No ranking aparece ainda criatividade; habilidade para trabalhar com diferentes culturas; habilidade para comunicação oral e escrita; raciocínio lógico; facilidade para se relacionar; facilidade de aprender; e habilidades matemáticas e numéricas. “É preciso estar antenado aos múltiplos contextos (econômicos, políticos, tecnológicos etc). Acredito que todos esses avanços e mudanças fazem parte da construção de um novo mundo, mais global, interconectado, flexível e inovador”.
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