Fiscalização da CPFL encontrou ligação clandestina escondida dentro de parede. Só no primeiro semestre, Marília registrou 28 irregularidades no consumo de energia.
Um dentista de 41 anos foi preso em flagrante em Marília, acusado de furtar energia elétrica por meio de uma ligação clandestina, popularmente conhecida como “gato”. O caso aconteceu em um imóvel no Parque das Indústrias, na zona Sul da cidade, durante uma fiscalização da CPFL Paulista.
A ocorrência chama a atenção para um problema que vai além do prejuízo à concessionária. Marília liderou o número de irregularidades identificadas no primeiro semestre de 2026 na região de Bauru, com 28 registros, seguida pela cidade de Bauru, com 21.
Ligação clandestina estava escondida na parede
Segundo o boletim de ocorrência, técnicos da CPFL identificaram uma diferença entre a energia consumida no imóvel e aquela registrada pelo medidor.
Durante a inspeção, descobriram uma derivação clandestina instalada dentro de uma parede de alvenaria. A ligação permitia que parte da eletricidade fosse utilizada sem passar pelo medidor.
A Polícia Civil foi acionada, mas encontrou dificuldades para abordar o responsável pelo imóvel. Conforme o registro, o dentista entrou na residência, fechou o portão e não respondeu aos chamados.
Os policiais aguardaram aproximadamente duas horas até que a esposa do acusado fosse acionada para abrir a casa. O homem foi encontrado em um banheiro, onde estava trancado.
A Polícia Científica realizou a perícia e, em seguida, a CPFL desligou a ligação irregular. O dentista foi preso em flagrante por furto de energia elétrica, previsto no artigo 155 do Código Penal. A autoridade policial não arbitrou fiança.
Marília lidera registros na região
Dados divulgados pela CPFL Paulista mostram que, somente nos primeiros seis meses deste ano, foram identificadas 1.436 irregularidades no consumo de energia em toda a área de concessão da empresa.
As fiscalizações permitiram recuperar mais de 2 milhões de kWh, quantidade suficiente para abastecer aproximadamente 905 residências durante um ano.
Na região de Bauru, foram constatadas 173 irregularidades, com recuperação de 265 mil kWh. O volume equivale ao consumo anual de aproximadamente 105 residências.
Marília aparece com o maior número de ocorrências identificadas nesse levantamento regional, com 28 casos, seguida por Bauru, com 21.
O que é o famoso “gato” de energia?
O termo é usado popularmente para identificar ligações clandestinas ou alterações feitas para consumir energia elétrica sem o registro correto no medidor.
Uma das práticas é puxar eletricidade diretamente da rede, desviando o fornecimento antes que passe pelo relógio. Outra envolve adulterações no equipamento para reduzir artificialmente o consumo registrado.
Além de crime, essas intervenções representam riscos à segurança. Segundo a CPFL, podem provocar choques elétricos, curtos-circuitos, incêndios, oscilações e interrupções no fornecimento, atingindo inclusive imóveis vizinhos.
Dependendo das circunstâncias, a fraude pode ser enquadrada como furto de energia ou estelionato. O responsável também pode ser cobrado pela energia consumida e não faturada, conforme as regras aplicáveis.
Como denunciar?
A CPFL informa que denúncias de suspeitas de furto de energia podem ser feitas de forma anônima. Os canais disponíveis são o aplicativo CPFL Energia e o site www.cpfl.com.br/fraude.
A concessionária utiliza as informações recebidas, além de sistemas de monitoramento e inspeções técnicas, para identificar possíveis irregularidades.
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