O encontro de partes de um corpo humano em lixeiras de São José do Rio Preto, na manhã desta segunda-feira (27), mobiliza a Polícia Civil e chamou a atenção pela extrema violência do crime. Caso semelhante teve repercussão nacional e ligação com Marília (veja abaixo).
Segundo a Polícia Militar, um pedestre encontrou inicialmente um pé humano ao lado de uma lixeira no bairro Jardim Estoril. Durante as buscas, outras partes do corpo foram localizadas em ruas próximas. A suspeita é de que a vítima tenha sido esquartejada.
Segundo a polícia, não foi possível determinar a quantidade de partes localizadas nem a identidade da vítima. No entanto, características como unhas das mãos e dos pés com esmalte vermelho indicam, preliminarmente, que o corpo deve ser de uma mulher.
As áreas foram isoladas para o trabalho da perícia técnica, que deve apontar a identificação da vítima e as circunstâncias do crime.
Até o momento, a identidade não havia sido confirmada oficialmente. A perícia trabalha para identificar a vítima, esclarecer a causa da morte e localizar o autor do crime.
Caso lembra um dos crimes mais famosos do Brasil
A brutalidade da ocorrência faz lembrar um dos homicídios de maior repercussão da história recente do país: o assassinato do empresário Marcos Kitano Matsunaga, herdeiro e diretor da Yoki, morto e esquartejado pela esposa, Elize Matsunaga, em maio de 2012.
Após uma discussão motivada pela descoberta de um relacionamento extraconjugal, Elize matou o marido com um disparo de arma de fogo e, posteriormente, esquartejou o corpo, espalhando os restos mortais em uma estrada na Grande São Paulo. O caso ganhou repercussão nacional e terminou com a condenação da autora.
Como foi o esquartejamento
As partes foram embaladas individualmente em sacos de lixo plásticos pretos e organizadas dentro de três malas de viagem de rodinhas de tamanhos diferentes, todas pertencentes à própria família.
Imagens do circuito interno do elevador flagraram Elize descendo com as três malas no dia 20 de maio de 2012, por volta das 11h30. Ela demonstrou grande esforço físico para carregar a mala maior, que continha o tronco do empresário.
As malas foram colocadas no porta-malas do carro da família (um Mitsubishi Pajero). Elize dirigiu por mais de 30 quilômetros até uma estrada de terra em Cotia, na Grande São Paulo, onde retirou os sacos plásticos de dentro das malas e jogou os pedaços do corpo no matagal.
As malas originais foram descartadas por ela em outro ponto da rota para tentar sumir com as evidências.
O elo com Marília
A investigação desse crime também passou por Marília. Dias antes do assassinato, Marcos Matsunaga esteve na unidade da Yoki instalada na cidade. Conforme informações reveladas durante as investigações, ele viajou acompanhado da mulher com quem mantinha um relacionamento extraconjugal e a apresentou na fábrica como uma suposta cliente interessada nos produtos da empresa, numa tentativa de não despertar suspeitas.
As informações foram reunidas pelo detetive particular contratado por Elize Matsunaga para investigar a suspeita de traição. O detetive particular contratado por Elize Matsunaga monitorou os passos do executivo e confirmou que a viagem de negócios na verdade escondia o relacionamento extraconjugal, o que gerou a violenta discussão na noite de 19 de maio de 2012.
O detetive descobriu que Marcos havia alugado um carro blindado importado e de alto luxo especificamente para transitar com a amante pela capital e levá-la até a filial da Yoki em Marília, tentando não deixar rastros em seus veículos de uso diário. O relatório produzido pelo investigador tornou-se uma das peças que ajudaram a reconstituir os acontecimentos que antecederam o crime.
A antiga fábrica da Yoki em Marília encerrou definitivamente as atividades em 2016, após a aquisição da empresa pela General Mills.
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