No dia em que o Brasil faz sua estreia na copa do Mundo de 2026, jogando nesta noite contra o Marrocos, em busca do hexacampeonato, relembramos uma história vivida pela mesma seleção há 64 anos, quando conquistou o segundo título mundial. Mas, logo depois veio a decepção já que toda torcida sonhava com o "tri" de forma consecutiva. Acompanhe!!
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Em apenas quatro anos, a Seleção Brasileira viveu dois dos capítulos mais marcantes de sua história. Em 1962, no Chile, o país conquistou o bicampeonato mundial e consolidou sua posição entre as maiores potências do futebol. Já em 1966, na Inglaterra, o sonho do tricampeonato transformou-se em uma das maiores frustrações da era Pelé.
Entre a consagração de Garrincha, a conquista de um mariliense e a eliminação precoce em solo inglês, o Brasil experimentou os dois extremos que fazem do futebol uma paixão tão intensa.
O Brasil chegava ao Chile como campeão do mundo
Após a conquista inédita da Copa de 1958, a Seleção desembarcou no Chile carregando uma responsabilidade inédita: defender o título mundial.
A base campeã foi mantida. Gilmar, Djalma Santos, Nilton Santos, Zito, Garrincha, Vavá e Pelé formavam uma equipe que reunia talento, experiência e confiança.
Entre os convocados estava também um jogador com ligação direta com Marília. Jurandyr de Freitas, nascido na cidade, integrou o elenco brasileiro que disputaria o Mundial chileno.
Jurandyr começou a sua trajetória no futebol profissional jogando no São Bento de Marília em 1960, clube que antecedeu o cenário do futebol profissional na cidade antes da consolidação do Marília Atlético Clube (MAC).
A Copa das adversidades
O caminho rumo ao bicampeonato começou com vitória sobre o México por 2 a 0. Na sequência veio um empate contra a Tchecoslováquia, mas a partida trouxe uma preocupação enorme para os brasileiros.
Pelé sofreu uma lesão muscular e ficou fora do restante da competição. Perder o melhor jogador do mundo parecia uma sentença difícil de superar.
Mas foi nesse momento que surgiu uma das maiores atuações individuais da história das Copas do Mundo.

Garrincha assumiu o protagonismo
Com Pelé fora, Garrincha tomou para si a responsabilidade de conduzir o Brasil. O camisa 7 viveu uma sequência de atuações consideradas até hoje entre as melhores já vistas em um Mundial.
Nas quartas de final, marcou dois gols na vitória por 3 a 1 sobre a Inglaterra. Na semifinal contra o Chile, repetiu a dose e voltou a marcar duas vezes.

Os dribles desconcertantes, a velocidade e a capacidade de decidir partidas transformaram o "Anjo das Pernas Tortas" no grande nome daquela Copa.
Muitos especialistas consideram que nenhum jogador foi tão decisivo para um título mundial quanto Garrincha em 1962.
A Batalha de Santiago
A Copa do Chile também ficou marcada por um dos jogos mais violentos da história dos Mundiais. O confronto entre Chile e Itália ficou conhecido como "Batalha de Santiago".
Socos, pontapés, expulsões e invasões de campo transformaram a partida em um espetáculo de violência. O episódio foi tão impactante que ajudou a acelerar discussões que resultariam, anos mais tarde, na criação dos cartões amarelo e vermelho.
Amarildo, o substituto perfeito
Se Garrincha brilhou, outro jogador teve papel fundamental. Chamado para substituir Pelé, Amarildo correspondeu à altura. Contra a Espanha, marcou os dois gols da vitória que garantiu a classificação brasileira.
Ao longo da competição, mostrou personalidade e eficiência, tornando-se uma das figuras mais importantes daquela campanha.
Chamado de "O Possesso" por seu estilo elétrico, ele tinha a missão quase impossível de substituir o Rei Pelé e acabou se tornando o grande herói do bicampeonato. Sua participação se resumiu a 4 jogos e 3 gols decisivos, com atuações de gala.

Bicampeões do mundo
Na final, o Brasil enfrentou novamente a Tchecoslováquia. Os europeus abriram o placar, mas a Seleção reagiu. Amarildo empatou. Zito virou. Vavá fechou o placar. Vitória por 3 a 1.
O Brasil conquistava o bicampeonato mundial. O capitão Mauro Ramos de Oliveira, ex-jogador do Botafogo de Ribeirão Preto, teve a honra de erguer a Taça Jules Rimet. Pela primeira vez na história, um país conquistava dois títulos mundiais consecutivos fora de seu continente.
O orgulho de Marília
A conquista teve um significado especial para os marilienses. Jurandyr de Freitas, nascido na cidade, fazia parte do grupo campeão.
Embora não tenha atuado durante o torneio (ficou na reserva), seu nome passou a integrar a galeria dos campeões mundiais. Na volta ao Brasil, foi recebido com homenagens.
Em Marília, sua trajetória serviu de inspiração para jovens atletas que sonhavam seguir o mesmo caminho.
A festa nas ruas
Assim como em 1958, o rádio foi o grande protagonista da Copa para os moradores da região. A televisão já começava a ganhar espaço, mas ainda era privilégio de poucos.
A maioria dos torcedores acompanhou os jogos por meio das transmissões radiofônicas. Quando o bicampeonato foi confirmado, ruas, praças e bares voltaram a ser tomados pela festa.
Fogos, buzinaços e carreatas marcaram a comemoração. O Brasil consolidava sua posição entre os gigantes do futebol mundial.
Quatro anos depois, tudo mudou
Se em 1962 o cenário era de euforia, a expectativa para a Copa de 1966 era ainda maior. Afinal, o Brasil chegava à Inglaterra como bicampeão mundial.
Pelé estava no auge da carreira. Garrincha seguia como um dos maiores craques do planeta. A imprensa internacional apontava a Seleção como principal favorita ao tricampeonato.
Mas a realidade seria completamente diferente.
Uma preparação cercada de problemas
Ao contrário da organização exemplar de 1958 e 1962, a preparação para 1966 foi marcada por erros e disputas internas. Diversos jogadores foram testados ao longo do ciclo.
A definição do elenco demorou. Mudanças constantes dificultaram a criação de uma equipe sólida. Enquanto os adversários evoluíam taticamente, o Brasil parecia confiar excessivamente no talento individual de seus craques.

A violência contra Pelé
A Copa da Inglaterra ficou marcada pelas faltas violentas sofridas por Pelé. No primeiro jogo, contra a Bulgária, o camisa 10 já foi alvo de entradas duras. Na partida seguinte, diante de Portugal, a perseguição continuou.
Sem substituições permitidas, Pelé precisou permanecer em campo mesmo lesionado. As imagens do Rei mancando e sendo constantemente agredido correram o mundo. A situação gerou revolta entre torcedores e jornalistas.
A eliminação precoce
Dentro de campo, os resultados não apareceram. O Brasil venceu a Bulgária por 2 a 0. Mas perdeu para a Hungria por 3 a 1.
Depois foi derrotado por Portugal por 3 a 1. A eliminação ainda na fase de grupos surpreendeu o planeta. Era a primeira vez que um campeão mundial deixava a competição tão cedo desde a criação da Copa.
O fim de uma era
A derrota marcou o encerramento de um ciclo histórico. A geração que encantou o mundo em 1958 e 1962 já não apresentava o mesmo rendimento.
Pelé, revoltado com a violência sofrida e decepcionado com a campanha brasileira, chegou a declarar que não disputaria outra Copa do Mundo.
Poucos acreditavam que o Brasil conseguiria voltar ao topo em pouco tempo.
As lições da derrota
O fracasso de 1966 obrigou a Seleção a se reinventar. A preparação física passou a receber ainda mais atenção. A análise dos adversários ganhou importância. O planejamento voltou a ser prioridade.
A derrota na Inglaterra serviu como um alerta. E foi justamente desse aprendizado que surgiria uma das maiores equipes da história do futebol.

Entre a glória e a frustração
As Copas de 1962 e 1966 mostram como o futebol pode mudar rapidamente. Em um momento, o Brasil celebrava o bicampeonato mundial, embalado pelo talento de Garrincha e pela força de um grupo extraordinário.
Pouco tempo depois, experimentava uma eliminação dolorosa e inesperada. Mas o futebol brasileiro ainda guardava seu capítulo mais brilhante.
Das cinzas da Inglaterra surgiria uma Seleção que encantaria o planeta.
No próximo capítulo
Copa de 1970: Pelé volta atrás, o Brasil conquista o tricampeonato e monta aquela que muitos consideram a maior seleção de todos os tempos.
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