As festas de final de ano costumam ser um período de muita interação, com diversos encontros e reuniões familiares, em ambientes cheios, enfeitados com decorações luminosas, além de música alta e várias pessoas falando ao mesmo tempo.
Esse cenário de excesso de estímulos sociais, visuais e sonoros gera uma sobrecarga sensorial que demanda cuidados específicos para quem possui Transtorno do Espectro Autista (TEA), principalmente quando se trata de crianças.
Isso porque essas condições podem causar incômodos e desencadear ansiedade, irritabilidade, crises de choro ou até necessidade de isolamento como forma de autorregulação.
Criança brinca em oficina do Centro TEA Paulista.
De acordo com Bruna Evelin Oliveira Silva, uma das psicólogas que atuam no Centro TEA Paulista, equipamento da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD), uma das principais recomendações diante da quebra de rotina, alterações nos horários de sono e na alimentação é antecipar o diálogo e tentar reduzir a imprevisibilidade.
A ideia é sempre avisar das alterações previamente e detalhar que se trata de algo temporário. As altas demandas sociais e sensoriais, aliadas com a quebra da rotina por causa das festas e férias, podem causar um shutdown ou um meltdown: ou a pessoa se retrai e fica isolada, ou ela tem uma reação de “explosão” externa, com choro, gritos e agressividade.
Acompanhe algumas dicas:
- Festas fora de casa: organize um “cantinho seguro”, em um local tranquilo, com objetos que ajudem na autorregulação, como brinquedos preferidos, cobertor, fone abafador de ruídos ou iluminação mais baixa. A criança deve saber previamente que pode utilizar esse espaço sempre que se sentir sobrecarregada;
- Orientação a vistas e parentes: converse sobre as maneiras adequadas de cumprimentar ou iniciar contato, sempre respeitando o espaço e o tempo da criança. Exemplos: cumprimentar verbalmente sem exigir resposta imediata; perguntar antes de tocar (“posso te dar um abraço?”); aceitar um aceno, sorriso ou ausência de contato como forma válida de interação; evitar pegar no colo ou insistir em contato físico sem o consentimento da criança;
- Elogios e incentivos: orientar para que sejam feitos de forma simples, clara e objetiva, preferencialmente relacionados a comportamentos específicos (por exemplo, “você conseguiu ficar mais um tempo aqui”). Deve-se evitar exageros, estímulos excessivos ou repetição insistente de elogios, pois isso pode gerar desconforto ou sobrecarga para a criança;
- Expectativas realistas: deixe claro que a criança pode não participar de todas as atividades, e que isso deve ser respeitado.
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