Classificação do Comando Vermelho e PCC como grupos terroristas, poderá levar EUA a realizar ações em território brasileiro

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A decisão do  Departamento de Estado dos EUA designou as facções CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital) como “Terroristas Globais Especialmente Designados”, ocorrida nesta semana, abre a possibilidade para ações diretas dos Estados Unidos em solo brasileiro.

Trata-se de um amparo legal que permite aos Estados Unidos realizar operações de inteligência e intervenções pontuais (como bloqueio marítimo ou aéreo de drogas), sem necessariamente o uso de forças especiais diretamente no Brasil.

De acordo com o professor Augusto Teixeira (foto), do Departamento de Relações Internacionais da UFPB e pesquisador do INCT Observatório de Capacidades Militares e Políticas de Defesa, "a cooperação policial no âmbito desses grupos vistos como crime organizado pode passar para outra lógica, uma lógica de segurança nacional americana, em que a ideia do combate efetivo e talvez de ações cinéticas paramilitares de inteligência pode ocorrer".

Ele cita como exemplo a presença de bases americanas no Paraguai, na região da Tríplice Fronteira, onde o PCC é um "ator fundamental no controle e na gestão do crime organizado na região".


Em março, o Paraguai aprovou um acordo com Washington autorizando a presença militar dos EUA no país, em um texto que permite que os americanos possam estar temporariamente no país para visitas de embarcações, treinamentos, exercícios, ações humanitárias e outras atividades.

Outros exemplos semelhantes em outros países: a Venezuela foi alvo de uma operação americana que resultou na captura de Nicolás Maduro em Caracas, no início do ano. Já no México, agentes da CIA terim participado diretamente de ataques mortais contra membros de cartéis no país. 

Entenda o caso

O documento oficial enquadrando as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas deve ser publicado no dia 5 de junho deste ano.

A divulgação da nota sobre o assunto ocorreu dois dias depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pedir a medida ao presidente americano, Donald Trump.

A decisão contraria a posição do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que teme interferência estrangeira no país, inclusive invasão territorial por parte das Forças Armadas americanas para atuar contra os bandos brasileiros. 

De acordo com a divulgação do Departamento de Estado americano, “CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Juntas, comandam milhares de membros e orquestraram ataques brutais contra policiais, funcionários públicos e civis brasileiros. Sua influência e redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, por toda a nossa região e por todo o país”. 

Com isso, as facções criminosas brasileiras se juntarão a mais de 90 grupos que os Estados Unidos consideram Organizações Terroristas Estrangeiras, entre elas o Hamas, a Al Qaeda, o Hezbollah, o Estado Islâmico, o Boko Haram, entre muitos outros. Só no ano passado, 27 grupos foram adicionados a esse conjunto. Isso inclui diversas associações das Américas, na esteira da pressão do governo de Donald Trump contra cartéis e narcotráfico na região.

Reação do governo Lula

O governo do Brasil disse, em nota publicada nesta sexta-feira (29), que trava um "combate permanente" contra o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho). O comunicado foi divulgado após os Estados Unidos classificarem as facções criminosas como terroristas.

"O Brasil é uma nação soberana que tem travado combate permanente contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as demais facções e milícias que praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias. Enfrentar essas organizações criminosas com firmeza é, e continuará sendo, prioridade do Estado brasileiro", começou a nota divulgada pelo Planalto.

O governo Lula defendeu que a segurança da população brasileira "é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos", referindo-se a família Bolsonaro, após encontro de Flávio Bolsonaro com Trump. Na reunião, o pré-candidato à Presidência da República ((principal opositor de Lula) disse ter defendido a classificação das organizações criminosas como terroristas.










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