Mulher de 49 anos afirma que desconhecidos transferiram empresa para seu nome sem autorização; restrições financeiras teriam impedido financiamento de imóvel
Uma balconista de 49 anos, moradora do Jardim Domingos de Leo, na zona sul de Marília, procurou a polícia após descobrir que uma empresa havia sido transferida para seu nome sem seu conhecimento. Segundo ela, a situação resultou em dívidas que somam aproximadamente R$ 17 mil, além de restrições financeiras que teriam impedido a aprovação de um financiamento imobiliário.
A mulher descobriu o problema em agosto, ao consultar seu cadastro no Serasa e encontrar cobranças que desconhecia. Ao procurar uma operadora de telefonia, foi informada de que as dívidas estavam vinculadas a um CNPJ registrado em seu nome. Posteriormente, com a ajuda de um contador, descobriu que uma alteração contratual realizada em maio a havia colocado como única proprietária da empresa.
A balconista afirma que nunca comprou o empreendimento, assinou documentos ou autorizou qualquer transferência. Entre os débitos identificados estão aproximadamente R$ 2 mil com a Fazenda Pública, R$ 239 com uma operadora de telefonia e uma cobrança de outra operadora que, segundo a vítima, chegou a cerca de R$ 15 mil.
Tentaram até financiamento!
Ela suspeita que seus dados pessoais tenham sido utilizados indevidamente, possivelmente por meio de acesso não autorizado à sua conta Gov.br e uso de assinatura eletrônica falsificada.
A mulher relatou ainda que tentou financiar um imóvel, mas não conseguiu aprovação de crédito em razão das restrições cadastrais que atribui à suposta fraude.
O caso foi registrado como falsidade ideológica e deverá ser apurado pela Polícia Civil, que buscará esclarecer como ocorreu a transferência da empresa e a origem das dívidas.
ENTENDA: como evitar este tipo de golpe?
A Receita Federal disponibiliza uma ferramenta gratuita chamada Proteção do CPF, que permite impedir a inclusão do cidadão como titular, sócio ou administrador de empresas.
A medida pode ajudar a prevenir fraudes como a relatada pela balconista de Marília.
Veja cinco cuidados importantes:
- Bloqueie seu CPF para participação em empresas. Acesse o serviço oficial Proteção do CPF, entre com sua conta Gov.br e selecione a opção para impedir a participação em CNPJs. O bloqueio é gratuito e pode ser revertido caso você decida abrir uma empresa.
- Consulte se existem empresas vinculadas ao seu CPF. A plataforma Redesim, da Receita Federal, permite verificar a participação do cidadão em pessoas jurídicas. Essa consulta ajuda a identificar registros desconhecidos.
- Proteja sua conta Gov.br. Ative a verificação em duas etapas, utilize uma senha exclusiva e nunca compartilhe códigos de acesso. Também é importante verificar os dispositivos autorizados e o histórico de utilização da conta.
- Acompanhe seu CPF e suas cobranças. Consulte periodicamente serviços de proteção ao crédito e desconfie de dívidas, correspondências ou notificações relacionadas a empresas que você não conhece.
- Descobriu uma empresa desconhecida em seu nome? Registre um boletim de ocorrência, reúna documentos e procure a Receita Federal e a Junta Comercial responsável pelo registro. Também é recomendável buscar orientação jurídica ou contábil para contestar a alteração e as cobranças.
Atenção: o bloqueio do CPF é preventivo e vale para novas inclusões em empresas. Ele não retira automaticamente o nome do cidadão de um CNPJ já existente.
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