O líder do PT na Câmara, deputado Afonso Florence (BA), divulgou nota oficial "repudiando" o que chamou de "mais uma ação seletiva e política" do ministro Gilmar Mendes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que determinou abertura de processo para apurar uso de verbas públicas da Petrobras pelo partido. Em caso de confirmação da ilegalidade, o PT pode ter o registro cassado.
De acordo com o presidente do TSE, há indícios de que o partido teria sido indiretamente financiado pela Petrobras, o que é proibido pela legislação eleitoral. "Ao pedir agora a cassação do registro do PT, o ministro faz jus aos que o chamam de 'tucano de toga' do STF. O nosso Judiciário precisa de magistrados, não de militantes políticos", disse Florence. Para ele, Gilmar Mendes agiu de forma "autoritária" e "tirou a toga" para atuar como "militante da direita brasileira".
O deputado Florence acusa o presidente do TSE ainda de parcialidade em suas ações. "Ao acusar o PT de ter se beneficiado de recursos desviados da Petrobras, Gilmar Mendes evidencia sua seletividade, já que outros grandes partidos - como o PSDB, PMDB, DEM e PP - também receberam recursos de empresas investigadas na Operação Lava Jato", disse ele, acrescentando que "sobre esses partidos, cala-se, como sempre, o presidente do TSE, que enxerga problemas no sistema democrático brasileiro apenas quando se trata do PT".
O processo aberto por Gilmar, ainda em fase inicial, deriva da prestação das contas da campanha da presidente afastada Dilma Rousseff e do Comitê Financeiro do PT em 2014, aprovadas com ressalvas, devido às suspeitas de irregularidades detectadas à época. Foi instaurado com base em informações da Operação Lava Jato, que levantou provas de que o esquema de desvio de recursos na estatal abasteceu o caixa da legenda.
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